O último ano de nossas vidas

Então, chegamos ao fim. Depois de quatro (longos) anos, estamos formadas! (É verdade que ainda faltam trâmites burocráticos). Encerramos mais um ciclo e agora, cada uma segue o seu caminho...
"Vai ser difícil me separar de vocês", disse o nosso orientador. Separações são difíceis... Assim como todo o processo de criação, que teve momentos muito difíceis. Mas conseguimos. Podia ser melhor? Com certeza. Não foi o meu, nem o teu, foi o nosso e, por conta disso, houve "um funeral de desejos".
Doceamargo, agora, só na lembrança. E nas fotos.
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Doceamargo - Minha versão
Ufa! Tá bem difícil. Difícil 14 desejos, difícil um (des)orientador. Difícil as escolhas estéticas. Mas, entre mortos e feridos, faltam 12 dias!
Agora, é burilar e aguardar. Até lá, além do corpo, a mente também constrói textos.
Segue abaixo a minha última versão para a minha cena.
Doceamargo – Incomunicabilidade
Neila Baldi
Um jantar íntimo, para poucas pessoas: para aquelas que me são indispensáveis, mesmo ausentes. Um jantar para aquelas pessoas que as coisas não foram ditas, para as que não se falou do mais importante. Ou seja, para os amores silenciosos.
Um jantar reservado, num ambiente íntimo, quase na penumbra – numa luz diluída. Em uma atmosfera onírica, mesmo que real. Em que a lua ilumina ao fundo, na janela grande, que é local de encontro e admiração. Um jantar minimalista e sutil, em que nada pesa – nem a conversa do não-dito. Que a luz e a música ao fundo são suaves, como uma sobremesa. E que o espaço (pequeno e reservado) se dissolve e fica quase imperceptível. Um espaço recheado de doces lembranças, de traumas não resolvidos. Um espaço reservado para a (re)conciliação, para o amor das letras garrafais e dos ouvidos atentos. Para os corações preenchidos e a se preencher. Um espaço em que a solidão, mesmo que acompanhada, seja aplacada e a presença ausente torne-se presença real.
Um jantar em que os gestos (silenciosos) falam mais que as palavras e dizem tudo o que nunca foi dito. Mas que a palavra acaba por vir, como num abraço apertado, para reforçar o incomunicável e derrubar o medo do não-dizer. Um jantar de encontros e reencontros, de falas ausentes presentes. Um jantar para o indizível.
Um jantar em que a água permeia e embala, alimenta. Ela corre ao fundo, da torneira, que limpa os alimentos e os pratos, da fonte que purifica o ambiente, da panela que borbulha.
Um jantar em que a presença e o lugar são mais importantes que a comida, que é tão sutil como o gesto, reforçada na amorosa sobremesa.
Um jantar em que as imagens do passado alimentam sua preparação. E cada ingrediente é pensado minuciosamente, enquanto as lembranças afloram. Os temperos são delicadamente dissolvidos e a água doce, como a do mate da infância, escorre no retoque final do prato – apesar do paladar adulto preferir o chimarrão amargo, que não se apresenta. Marcadores: Meu querido diário
Doceamargo - Meu TCC


Marcadores: Meu querido diário
Saudades de mim

Por onde estive este tempo todo? O que fazia? O mundo me escapava pelas mãos e eu não percebia.
Por onde andei, que não te encontrei antes? Onde é que estava que não te via?
Eu andei pela bandas de lá. Eu estive nas daqui. Eu percorri caminhos. Eu me perdi, e me encontrei. Mas não sei o caminho que segui - não o percebi.
Eu queria o mundo, eu queria tudo. Eu queria a mim! Mas onde é que estava?
Por onde andei? Por que não me encontrei? Por que não te encontrei antes? Eu não s

ei porque tinha de caminhar... Só segui, ao sabor do vento.
Quem era eu antes das andanças? Por onde andei?
Eu percorri caminhos tortuosos. Eu percorri caminhos sinuosos. Eu percorri... E me perdi e me encontrei. Por onde andei? E o que deixei onde eu estive? O que ficou de mim? O que ficou em mim?
Eu caminhei. Estive por aí juntando os cacos de mim. Estive juntanto os nossos cacos. Um pouco de cada um, de cada lugar. E agora eu me procuro nos meus caminhos. O que restou? Por onde andei?
Marcadores: Ela pensa que é literatura
De volta...
Engraçado, quanto mais tempo a gente tem, menos tem.
Sem horário fixo de trabalho -estou só frilando - estou quase sem tempo. Sempre tem algo pra resolver, pra fazer. Ócio? Que nada! (Isso não que dizer que tenha trampo todo dia, pelo contrário).
Então, acabo não vindo aqui...
... esta semana definimos: "Doceamargo" é o nome do nosso espetáculo/TCC.
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O casório
Neste findi estarei em BSB... Depois de mais de um ano, revejo alguns amigos. E por que vou? Porque dois grandes amigos (que eu apresentei um pro outro) se casam. Que lindinhos... Para mim, é o casamento da década. Os dois seres mais amorosos e bondosos que já conheci na vida e que tive a oportunidade de ajudá-los a se encontrar.
...
Pena que perdi o avião e só chego a BSB amanhã.
Marcadores: Meu querido diário
Letras Mágicas

Foram cinco letras mágicas e, de repente, tudo cessou. Aquelas letras mudaram duas vidas. E, no momento em que foram proferidas, serenaram dois corações. Acabava ali uma busca.
Até aquele dia, ela procurava em olhares, bocas e peles. Em amores platônicos e paixões arrebatadoras. A fisionomia, alguma característica, lhe diria. Por vezes pensara estar diante daquele que diria as letras mágicas. Mas não era. E a busca seguia incessante. Nem sabia ao certo quando começara. Talvez antes mesmo de tê-lo visto e sabido seu nome. Mas até esta visão, era uma busca na escuridão. Depois, na certeza.
Um nome. Apenas um nome presente em um desejo infantil e em uma certeza adulta. Um nome unia duas vidas e cessava uma busca. A dela.
Na hora, ela não duvidou, nem questionou. Apenas serenou seu coração. “Como assim? Não é surreal o mesmo nome?”.
Inacreditável, alguém poderia pensar. Coisa de novela ou cinema. Coincidência, outra diria. Para ela, somente certeza. Afinal, era inquestionável que o ser buscado que a levaria ao nome não questionaria as cinco letras. Simples porque os dois haviam assumido o mesmo compromisso: o de gerar as letras mágicas.
Sampa
Agosto/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Pedro
O Filho que eu quero ter

Toquinho/Vinicius
É comum a gente sonhar, eu sei,
Quando vem o entardecer;
Pois, eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer.
Vejo um berço e nele eu me debruçar com um pranto a mim correr e assim chorando acalentaro filho que eu quero ter.
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem.
De repente eu o vejo se transformar
No menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim.
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim.
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu,
[Sentir-lhe] a barba me roçar
No derradeiro beijo seu.
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus,
[Ouvir-lhe] a voz a me embalar
Num acalanto de adeus.
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
Linda mensagem que recebi, como resposta aos textos sobre o Pedro.
Marcadores: Dos outros, Pedro

Meu TCC é inspirado em “O Silêncio dos amantes”, da Lya Luft.
Durante o processo de criação, escolhi frases-chaves do livro, que me inspiraram.

E, ao fim do semestre, um dia, olhando o que havia sublinhado, escolhi as que estão abaixo, como se fossem uma carta, a todos os meus amantes (aqueles que amo, nas mais diferentes naturezas do amor).
A propósito: o espetáculo deve ser de 10 a 14 de novembro.

Eu era desconfiado demais, atrás de cada beijo, esperava a mordida.
Cada perda tem sua hora de acabar.
Hoje, acredito que não saber é o que torna a vida possível.
A gente nunca falou no mais importante.
Num silêncio melhor do que qualquer palavra.
Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenosos nas paredes do silêncio.
Quem sabe teríamos sido apesar de tudo um grande par. Marcadores: amor, Meu querido diário, Relacionamentos
Pedro ou Pietra?
Certa vez me perguntaram: se não for um menino? Se for uma menina?
Esses dias, um amigo meu falou: já pensou se ao invés de Pedro for Pietra?
Em ambas as vezes eu ri e disse com convicção: eu sei que é um menino. E repito: sempre quis uma menina, até o dia em que soube que seria um menino. Simples, como o texto abaixo.
Marcadores: Meu querido diário, Pedro
O Menino

Então ele chegou e a pegou pela mão. Era um menino que ela não conhecia, nunca o havia visto e aparentava uns seis anos. Lembrava o filho de uma amiga, mas não era ele. Naquele dia, todos tinham ido para outro lugar, mas ela foi desviada pelo menino, que sorriu e alcançou a mão. Ele não disse nada, só fez o gesto, que ela aceitou.
Segurando em sua mão, ela foi caminhando por uma estrada de terra, parecia um bosque, numa paisagem quase outonal. Era um lugar que tinha árvores com copas altas, folhas no chão, ao fim do caminho, um lindo campo verde – como o do pampa. Mas ela não sabia identificar em que lugar ela estava, se no seu país ou fora dele. Dali seguiram e, de repente, a paisagem se transformou. Não havia mais folhas no chão, nem verde. O branco invadia o ambiente e caminhavam também num bosque, com neve.
Foi quando a chamaram para voltar. E ela voltou, sem saber quem era aquele menino, nem o lugar, muito menos para onde tinham ido.
O mesmo menino apareceu outra vez, quando cada um tinha de ir para a sua casa. Quando ela lá chegou, na sala, que era grande – e era a que ela morava mesmo, no seu país, naquela cidade mágica – ele estava no chão, com outras duas crianças, brincando. O menino da pele clara como neve, da boca carnuda, do cabelo preto. O menino que a levara para a neve, para o campo, para um lugar que ela não conhecia. Agora, aquele menino estava na sua sala, brincando e dando risada. E quando ela o viu ali, na sala, teve uma certeza e uma lágrima brotou de seus olhos.
Nunca mais o menino apareceu, não precisava. Desde aquele dia ela o esperava de volta, ela o procura nos olhos de homens que encontra. Desde aquele dia, muitos anos se passaram, e ele ainda não apareceu. Mas ela sabe que, aquele menino, um dia vai chegar e vai chamá-la de mãe.
Sampa
Agosto/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Pedro
De volta

Depois de dias sem publicar nada – e das reclamações do Guilherme, de que meu blog está muito chato – estou de volta. E inspiradíssima. Resgatando histórias velhas, que nunca tinha colocado no papel (como a
Aparição, que havia sido a última). Lembrando sempre que, nem tudo o que escrevo em
Ela pensa que é literatura é história minha. Sou uma observadora da vida, e coloco no papel.
As aulas da faculdade recomeçaram, mas como estou só frilando, tenho mais tempo para tudo. Inclusive para me inspirar. Para pensar no meu TCC – e em tudo que o fim desta graduação representa para a minha vida.
Nestes dias de garimpo, descobri o novo CD da Ana Carolina – tem gente que ama ou odeia, eu estou no grupo 1. Nove, o novo CD traz músicas que, para mim, são lindas. São apenas nove músicas. São tocantes, para mim, as letras de 10 minutos (Será que é o teu jeito de dizer adeus?/Seu silêncio me devora, algo diz para eu ir embora). Dentro (Me tranquei dentro de você e não sei mais sair./Ressurgi de onde eu não imaginei e aprendi que nunca sei enganar meu coração/Esperei você dormir pra jurar minha paixão”) e Entreolhares (Me ganhou, vai ter que me levar).
E o verbo voltar, aqui, para mim, tem muitos significados. Lembram que fiz um texto sobre isso? (
As voltas que o mundo dá). Outro dia, no centro espírita, tive uma certeza de outra volta. Eu sempre disse que voltaria. Eu sempre dizia: no dia seguinte ao fim das aulas, eu volto. Mas nos últimos tempos, pensava que talvez isso não acontecesse, por outros projetos de vida. Qual é o mais importante: o pessoal ou o profissional? Eu abriria mão de alguns projetos profissionais – não da realização deles, mas da realização idealizada, do modo como foi sonhada - pelos pessoais. Abriria mão por um amor, desde que ele fosse a dois, não sozinho.
Então, respondia: no casamento, em setembro – aquele que sou a “fada madrinha” -, meu coração vai dizer. Mas nada mais me prende a esta cidade: depois que eu terminar a faculdade, posso pegar a mala e partir, para onde o coração me levar. Afinal, não estou empregada – só frilando – nem namorando. Ou seja, é só esperar o fim das aulas.
E, naquele sábado, o meu coração falou, a saudade me apertou. E eu tive certeza de que tenho de fazer o movimento da volta. E ser feliz naquela cidade que escolhi como minha, naquela que me transformou no que sou, naquela que me fez vir pra cá, atrás do meu sonho. É claro que outros projetos profissionais, ligados ao jornalismo e dança, poderiam me levar para um lugar novo... Mas hoje, meu coração diz que é no coração do Brasil que está o meu.
Outras coisas, infelizmente ou não, não têm voltas. Porque cada vez mais o meu coração tem certezas. E uma delas é a de que não posso viver errante ou insistindo nos mesmos erros, pois tenho um relógio biológico. E um compromisso: com o Pedro.
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Aparição

Ela estava distraída, tagarelando enquanto olhava o mural e, como não podia deixar de fazer, sapateava ao ritmo de sua fala. Foi quando ele apareceu, na porta. Usava um colete azul e parecia um astronauta. A cor combinava com seus olhos claros e o deixava mais reluzente.
Quando o viu, do outro lado da sala, ela escorregou e caiu. Não esperava reencontra-lo desde aquela tarde quente – ou será que era ela que sentia calor ao seu lado – e tumultuada, em que esqueceram o mundo ao redor e conversaram sobre amenidade que, no fundo, eram coisas valiosas para os dois e que, sem saber, tinham em comum. Na mesma velocidade em que seu coração batera naquele instante de surpresa e naquela tarde, ela levantou, com a esperança de que ele não tivesse percebido o estrago que sua presença provocara. É verdade que já tinham se visto uma vez, antes daquela tarde quente e tumultuada. Mas ela nem o notara: seu tipo físico e seu modo de se vestir não o chamaram a atenção. Bem diferente da tarde do encantamento, quando vestia uma camisa rosa e trazia no rosto um largo sorriso.
Se ele percebeu o que acontecera, não comentou. Chegou ao seu lado e falou sobre algo que estava no mural. Em seguida, o convidou para ir à feirinha. Mas ela estava acompanhada e tinha de voltar com quem a trouxe. Enquanto seu coração dizia: vai; a razão lembrava que não. Enquanto caminhavam até a porta, conversavam meio sem jeito. Os dois sabiam que aquela era a hora. Que talvez não se repetisse.
Todos os que estavam com ela também saíram da sala naquele momento, em direção ao carro. Os dois caminhavam para a saída e, neste momento, ele tentou mais uma vez: email, orkut, msn, tudo o que a tecnologia de hoje pode oferecer. Naquela conversa que é falada no caminhar e, portanto, não é concluída. Como quem embarca em um navio e não volta, ela se foi, com o perfume dele nas mãos e no rosto.
Mais tarde, soubera que poderia ter ido. Mas agora era tarde: restava apenas o cheirinho que ficou da lembrança da imagem que nunca mais se repetiu.
Porto, julho/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Homens
Jonva
Pelo segundo ano consecutivo fui para o Festival de Dança, desta vez do outro lado do balcão (não como repórter, mas como assessora). Como eu gosto disso!!! Era o meu sonho na faculdade, viver de festival em festival...
... mas os dias de Jonva (Jlle como eles abreviam) foram frios e boa parte chuvososo. Mas maravilhosos!!!
Ano que vem, se Deus quiser eu volto (e ainda participo do Seminários de Dança, que tanto queria).
Bem, agora curto o fim das férias da facul aqui em Porto Alegre.
Marcadores: Meu querido diário
Desolação
1. Descobri que, não satisfeita com a primeira, cometi a segunda, que pode ser irremediável CAGADA (verdade que sem querer, mas fazer o que).
2. O Guri cresceu tanto que nunca vai pro meu apê. Mas isso nem dói tanto...
Os três textos abaixo (
Seu erro,
Solidão a dois e
A semana passada a sós) são em homenagem à minha amiga virtual
Kah, que escreve muito bem sobre relacionamentos. Quando eu crescer, quero fazer igual, hehehe (sobretudo aquele da rosa...)
Marcadores: Meu querido diário
Seu erro

Então ela descobriu que verdade demais dói. E que a transparência em excesso pode trazer à tona o passado já esquecido.
Foi com dor que descobriu que o esquecimento pode ser fatal. Logo ela, que sempre valorizou os pequenos gestos...
Ela descobriu que o amor tem de ser regado dia a dia, todos os dias. E que o mínimo de descuido é percebido pelo outro lado. Mesmo que só um regue...
Ela que sempre foi tão cuidadosa com as palavras e gestos, descobriu que o seu erro foi exatamente o descuido. E diante dele, as desculpas foram vistas como esfarrapadas e o amor pareceu desamor. Então ela descobriu que o futuro promissor se mostrou frágil como a mais linda rosa branca que se despedaça no inverno.
Porto, 10 de julho/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Relacionamentos
Solidão a dois

O telefone não tocava como antes. E as mensagens já não tinham o entusiasmo de outrora.
Dia a dia as viagens se tornavam cansativas. E do outro lado do portão o abraço afetuoso não lhe aguardava.
Os beijos foram se escasseando. Assim como as carícias. Os encontros se tornaram raros e dolorosos.
Mas no peito o coração teimava e insistia. E brigava com a razão que lhe perguntava o porquê de estar ali.
O sofá já não aconchegava. E aquela casa era um frio deserto. Qualquer palavra podia ser mal-interpretada. E, então, ao invés das doces e melosas, o que imperava era a mudez.
Estavam juntos. Talvez por comodismo, por ter se acostumado com a companhia do outro. Estavam lado a lado, mas já nao faziam nada juntos.
A vida tinha virado um moto-contínuo. Mas o coração teimava e insistia, enquanto a razão perguntava por que.
O tempo ficara menor. E aquela música já não tocava, nem dançavam mentalmente com ela. Os momentos juntos quase não existiam mais.
A vida era um correr para braços vazios. Era sonhar com o afeto que já não existia. Só dois seres indefesos tiravam deles o sorriso no rosto e a felicidade compartilhada. Todos os outros momentos eram de imensa solidão a dois.
Mas o coração insistia e teimava em continuar brigando com a razão, que se perguntava: por quê?
Até que um dia o coração parou.
Sampa, julho/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Relacionamentos
A semana passada a sós

Ontem eu senti medo. Levei um baita susto e quando coloquei a mão do lado, o banco do carona estava vazio. A perna estava bamba e eu quis pegar o telefone e ligar. Pra quem?
Ontem eu brilhei e enquanto dançava no silêncio dos amantes, as lagrimas saiam do rosto, no êxtase do teatro. Mas quando olhei para a platéia, não existia ninguém.
Ontem eu tive dor, uma dor que não passava. E a noite foi ficando angustiante. A cama já não segurava o corpo, que se contorcia. Foi quando levei a mão ao lado – e estava vazio.
Ontem um sorriso se abriu de um canto a outro do rosto, quando eu vi no corpo do outro o meu. E feliz, olhei ao redor, querendo compartilhar aquele momento. Mas cadê?
Ontem eu passei mal, num corpo que não me suporta. Na maca, enquanto esperava a crise passar, um nome vinha à lembrança. E, na hora que eu rezava, um rosto se desfigurava. Na sala, só eu e nada mais.
Ontem eu olhei para o lado e vi que tu não estavas lá. Ontem eu quis me certificar e mais uma vez encarei o presente. Ontem eu estava só. E aí eu me lembrei que há muito tempo que eu me encontrava sozinha.
Sampa, julho/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Relacionamentos

Porto Alegre virou um caldeirão de dois dias. Será que os dois títulos ficam lá?
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Velhice
Tá bom que faço 34 anos semana que vem, mas...
Tô me sentindo velha. Veja bem:
1. Por seis meses vou ter de tomar um remédio que custa mais de R$ 150 para artrose no pé esquerdo.Sim, os anos de sapatilha de ponta desgastaram meu pezinho....
2. Hoje soube que por dois meses vou ter de tomar remédio e excluir o trigo da alimentação porque estou com triglicerídeos altos. Pode? Dieta vegetariana dá nisso...
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A última redação

Essa é a equipe guerreira que FECHOU a Gazeta Mercantil.
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A última semana das nossas vidas

Disseram que eu sou dramática (mas drama é a essência do meu ser canceriano - eu não ia ser Janete Clair?).
Escrevi no meu msn esta semana: A Última semana das nossas vidas (não tem um filme que é "O primeiro ano do resto de nossas vidas). É uma semana decisiva. Afinal, Tanure e Levy decidem sobre nossas vidas (estou me sentindo um gado que é jogado de um lado para outro).
Veremos: amanhã (amanhã ou depois tanto faz se depois for nunca mais, diz o Nenhum de Nós) pode ser nosso último dia juntos (todos da redação), pode ser a última edição de um jornal com quase 90 anos.
Esta semana de tensão serviu só pra uma coisa: criamos uma trilha sonora do fim, que vai do Titanic até Portão (eu voltei, diria o Levy)...
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Meu guri

O meu guri é o nome de uma música do Chico Buarque. Pois bem: Guri é o nome do meu CÃO.
Lindo, não?
Taí ele, ao lado do irmãozinho, o Dunga.
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Apenas o meu querer

Eu te queria aqui, ontem e sempre. Eu te queria do meu lado e não consigo imaginar que a vida segue, mesmo longe de ti. E que és uma falta intangível.
Eu te queria para aquele colo gostoso que poucas vezes me aconcheguei. No colo da segurança. E é tão difícil pensar que eu não o terei mais.
Eu te queria muito mais que nas lembranças ou nas fotografias (que não tenho). Eu queria sentir a tua falta e te abraçar (e neste momento, o mundo parar, como quando eu era criança).
Eu queria que o tempo não passasse e tu ainda estivesses lá, naquela casa, me segurando no colo, como na foto que eu não tenho.
Por que tu não me esperaste? Por que? Por que da última vez que eu te vi, não te abracei mais um pouco e não fiz todas as tuas vontades? Aquele dia não sai da minha memória, com um remorso doido, de quem tem a certeza de que ele não volta.
Eu te queria do meu lado e pensei algumas vezes em te trazer para ficar comigo, para eu cuidar de ti, como cuidavas de mim quando eu era criança. Mas agora resta apenas o meu querer, nada mais.
Por que? Por que tu não me esperaste? Eu queria poder ter te abraçado e dito as coisas não-ditas nunca. E a minha única esperança é pensar que tu sabes de tudo isso, mesmo a gente não tendo se despedido.
Eu te queria do meu lado hoje e sempre. E ter a certeza de que tu sabes disso.
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ET - Minha casa.........
Quando eu era criança, chorei quando vi o ET apontar para o céu e falar: minha casa.
Esses dias, revi o filme e comentei: chorei nessa hora.
Pois agora é a minha hora de falar: minha casa.
Depois de dois anos de procura e de ver os imóveis valorizarem mais que o dinheiro, dei entrada no meu apê. Gastei meus 15 dias de férias, em janeiro, procurando. Só fazendo isso. E, no carnaval, me mudei.
Não pedi permissão, mas reproduzo parte de um email que recebi, sobre a comunicação de minha casa:
São de pessoas como vc que o nosso país precisa minha cara, gente sensível e antenada às questões mais singulares da inteligência humana e existência equilibrada... num mundo cada vez mais caótico, eu percebo vc como uma ninfa que transita pelos espaços mais lúgubres do capitalismo sem se deixar influenciar por suas artimanhas político-conceituais.De resto, a vida segue corrida...
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Vida Animal
O Chico namorava a Maricota, que ficou doente e morreu. Então, ficou com a Filó mas não aguentou e matou a coitada. Sozinho, morreu de tristeza pela falta da Maricota.
Piada pronta
E macabra...
Depois do acidente, o Brasil de Pelotas tem nome patrocínio: Vivo.
Verdade, não é mentira não. Tá
na internet.
Outra piada (também macabra): o cara do Amazonas pensou que estava no Rio Hudson.
Triângulos amorosos

Eu dança; tu música; ele todas as artes. Eu teatro; tu boteco; ele cinema.
Nós pequenos; ele tão grande. Nós do mesmo lugar; ele de tão longe. Nós iguais; ele tão diferente. Todos um dia apaixonados.
Eu inteira; vocês pela metade. Eu em busca do meu sonho; tu com medo; ele seguindo em frente.
Nós políticos; tu, não. Nós com a vida a seguir. Ele já vivida. Nós crianças se divertindo. Nós crianças aprendendo. Todos.
Eu com trejeitos. Tu tímido. Ele extrovertido. Eu olhando o futuro. Tu preso ao passado. Ele vivendo o presente. Eu apressada. Vocês nas suas... Eu disse não quando queria um sim. Vocês aceitaram.
Nós intensos. Tu com reticências.
Eu te queria. Tu tinhas medo. Ele tinha medo. Vocês tinham medo!!! Eu aqui; tu ali; ele lá.
Nós intensos. Tu com reticências?
Eu à procura. Tu perdido. Ele achado. Eu romântica; tu racional; ele passional. Eu qurendo a paixão. Tu preso a ela. Ele apaixonado.
Eu em constante mudança. Tu uma mistura de tudo. Ele diferente de todo mundo. Eu sozinha acompanhada. Vocês ausentes.
Eu aqui à espera. Eu com esperança. Eu que queria. Eu que desejava. Eu que disse não. Eu, eu, eu, sempre eu.
Nós com o desejo à flor da pelo. Tu com ele retraído. Tu preso ao passado. Tu com medo. Tu calculando os passos. Tu, tu, tu... sempre tu.
Nós intensos; tu com reticências...
Eu pulo para o espaço; pulo pro vazio; pulo para o desconhecido. Dou um passo na escuridão com os olhos fechados. E me solto. Tu amarrado. Ele livre.
Eu, tu e ele. Eu e nós. Eles e eu. Todos, um dia, com reticências. Nós, um dia apaixonados. E ela, como era?
Sampa
Junho/08
Marcadores: amor, Ela pensa que é literatura, Relacionamentos
Fugitivo

Ela voltava para casa triste e, como num ritual, passou na banca para comprar jornal - talvez seja uma das poucas que ainda têm este hábito. O papel, no entanto, não ia deixá-la mais feliz. Tratava-se só de um ritual de final de semana, comprar jornal.
Estava a duas quadras de casa. Estacionou o carro na esquina da banca de revista. Desligou o autinho e puxou o freio de mão. Ia tão rápido ali - estava louca pra chegar em casa - que deixou tudo dentro do carro: celular, carteira, bolsa, óculos. Só saiu com o dinheiro do jornal e a chave do carro. Ligou o alarme e caminhou até a banca. Uns 10 passos, quem sabe...
Pediu pelo jornal. Pagou. Colocou o papel debaixo do braço e foi em direção ao carro. Enquanto caminhava, olhou para a esquina e ele não estava lá. Se perguntou como o ladrão tinha sido tão rápido e o alarme nem tinha disparado. Com o coração na boca, caminhou mais um pouco e olhou para a esquerda. O carro estava lá, sozinho, descendo a rua, de ré...
Saiu correndo em direção a ele. Outros dois tinham parado (será que para olhar a cena, tsc, tsc). Ele já estava quase na segunda metade... Olhou para a direita (para ver se não vinha "nenhum louco", pensou). Desligou o alarme, engatou a primeira e foi. Na banca, os dois homens que lá estavam davam gargalhadas.
As duas quadras seguintes foram um misto de emoção. As pernas estavam bambas do susto. Mas chegou em casa dando risada. A cena tinha sido, de fato, engraçada.
Se perguntava como aquilo tinha acontecido se o freio de mão estava puxado. Talvez precisasse engatar a primeira, talvez precisasse ter algo pra rir...
Sampa
Jan/09
Marcadores: Ela pensa que é literatura
Compensações
A não-ida ao meu balé foi compensada com o Reveillon...
Marcadores: Meu querido diário
O mesmo mar

Não era um mar que nos uniu. Nunca houve um mar ao nosso redor. Foi o vento, vento de chuva. Foi ele que fez a gente se encontrar. Como o vento,nos levou sem direção.
E assim foi sempre, um vento, de chuva. Portanto o vento denuncia o que vai acontecer.
Mas eu não sabia. Durante muito tempo eu pensei que tu eras o amor da minha vida, meu grande amor, o homem mais importante da minha vida. E talvez o fosse. Ou tivesse sido durante muito tempo. Não sei.
Mas foste, sim, o mais importante, mesmo sem saber, mesmo sem eu saber. O mais importante para eu me encontrar. E me transformar.
Um dia eu ouvi que o mesmo mar que trouxe, levou. Tu foste isso pra mim. Aquele vento que impulsionava e que afasta.
Talvez tu não saibas. Eu acho que já te disse isso: parte do que sou hoje é culpa tua. Uma culpa gostosa... Não fosse por ti eu não tinha saído de onde eu estava. Se eu não tivesse ido embora, não teria descoberto tantas coisas extraordinárias. Se não tivesse saído, estaria até hoje lá naquele mundo, naquela vida que eu levava perto de ti.
Tu me fizeste sair dali. Tu me fizeste me afastar de ti. Longe, eu te queria por perto, mas tinha medo, muito medo desse encontro.
E como o vento, que molda de forma imprecisa, o nosso amor viveu sem se consumar. Nunca foi consumado, só o amor vivido, mais nada. Ele seguia o sabor do vento. Vento que não seguiu...
Foi o vento que soprou para outro lado. E aquele outro vento, que não era o minuano, me refrescou a alma e me acalmou o coração. Me fez ver que eu podia moldar, não precisava me levar ao sabor do vento. E de novo, tu me fizeste. Por tua causa, eu fugi e na fuga, eu me encontrei.
Sampa
Novembro/08
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Lembranças, Relacionamentos
Saisad

De tudo ficou o bicho do bichinho. A lembrança física do que passou. De todo o afeto e das juras de amor não proferidas ficou a prova material. Uma compensação de algo intocável.
Meses de convivência foram depositados naquele animal de pelúcia. Brigas e amores. Choros e gargalhadas.
Um simples ser, pequeno e indefeso, inanimável, guarda o nosso amor não consumado.
Era outro bichinho que queria abraçar esta noite e dormir agarradinha.
Nunca deixaste rastros visíveis na minha vida. Era como se andasses pé ante pé para não ser percebido. Enquanto eu abria os braços e escancarava.
Em todo canto teu tem um pouquinho de mim. E eu não tinha nada que provasse a tua existência, nem tua passagem e o estrago que fizeste em minha vida. Até que, como a derradeira despedida me deste aquele bichinho de pelúcia, sabendo que eu ia adorar. Principalmente porque, pela primeira vez, tu demonstravas que queria que eu ficasse com uma lembrança tua, palpável.
De tudo ficou o bichinho de pelúcia... Que teima em me lembrar que tu não estás mais aqui.
Julho/08
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Feliz Homem Novo

Pronunciamento do radialista Helio Ribeiro (falecido no ano 2000), feito em emissora de rádio no dia 31 de dezembro de 1975.
FELIZ HOMEM NOVO
Como poderá o ano novo ser feliz se os homens que promovem as infelicidades continuarem sendo os mesmos?A Terra, esse pequenino e inocente planeta, cumpriu sua missão de girar e girou na sua translação ao redor do Sol ou na sua revolução ao redor de si mesma, o que mantém essa pequenina parcela do cosmos em equilíbrio com o próprio universo.Os homens nasceram os homens morreram.Os homens se ajoelharam para plantar sementes.Se ajoelharam para falar com as crianças.Se ajoelharam para pedir perdão e se ajoelharam para sua própria execução.Os homens mataram e roubaram, mentiram e juraram e a maioria dos homens ficou falando da sua verdade particular, individual, do seu interesse próprio, mesquinho.A verdade está acima do homem que dirige e do homem dirigido.A verdade está acima do homem que sabe e do homem que não sabe.A verdade está acima da mulher que gera filhos e da mulher que mata a possibilidade de vida dentro de si.A verdade está acima dos interesses individuais.Ela é una, indivisível.Ela é porque é.O que não é plenamente verdadeiro não é meia verdade. O que não é plenamente verdadeiro é plenamente falso.E os homens continuaram enganando-se.E continuaram mentindo.E continuaram prometendo.E continuaram analisando as atitudes que eles mesmos provocaram tornando pior a vida neste último ano que vivemos.Ah! Eles mataram culpados que seriam inocentes se estivessem do outro lado, e mataram inocentes que seriam culpados, apenas em função do lado.Ah! Esses homens! Mataram crianças dizendo que defendiam a liberdade e o direito de vida.Eles chegaram, em determinados momentos, em alguns lugares, ao crime maior de dar força ao corruptor para corromper.E justificaram seus erros promovendo novos erros.E foram injustos na sua justiça.Eles aperfeiçoaram máquinas, inventaram, parlamentaram, guerrearam para garantir energia para a geração futura que eles mesmos estão matando no ventre materno.Pelo temor do presente mataram adultos.Pelo temor do futuro matam aqueles que deveriam nascer.Gastaram fortunas e fortunas para aperfeiçoar uma pílula para matar filhos de quem a pode comprar.Investiram para fazer nascer no tubo o ser que destroem na mãe, mas não tiveram dinheiro para matar a fome das crianças, pele e osso, que nas esquinas do mundo gritam para todos os lados:“Eu só quero viver, eu só quero comer, eu só quero vestir, eu só quero Ter o direito de chorar, eu só quero sorrir…”Como poderá o ano novo ser feliz se os homens promotores de injustiças continuarem os mesmos?Dois mil anos, três mil, quatro mil, cinco mil em termos de tempo cósmico, universal, não é nada.Nosso tempo é muito curto, muito rápido, vertiginoso, veloz, ele passa… e passou.E nós não temos ainda plena ciência do que somos, de onde viemos e para onde estamos caminhando.Nós sabemos algumas coisas pelos recados inteligentes, filosóficos, humanos e divinos deixados por Jesus Cristo que, acalmando as intranqüilidades, dizia: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã. A cada dia já basta o seu cuidado”.E que propondo coisas mais além, dizia: “Na casa de meu pai existem muitas moradas” e muitas moradas deverão existir porque esta vida aqui embaixo, do jeito que está sendo vivida, seria totalmente absurda. Um nascer, um crescer, um sofrer, um se esmagar, um não se completar e morrer, assim por tão pouco, por quase nada.Como poderá o ano novo ser bom se os homens promotores de infelicidade continuarem agindo da mesma maneira?A distinção única, maior, superior, que nos faz diferentes dos outros animais, é a nossa capacidade de raciocínio, e só há uma forma de entendimento universal:É que sentem na mesma mesa os homens certos para dialogar, para discutir, parlamentar, sem guerrear e dizer: “O que fazer para melhorar o mundo para as pessoas, para garantir comida para todos os seres que aqui embaixo estão?”Porque há uma inversão total de posição, as coisas do mundo vão muito bem obrigado, e neste ano que acaba agora, elas tiveram momentos felicíssimos, as coisas, todas as coisas.Mas seja verdadeiro, realista, acredite no que acreditar, vá fazer uma pesquisa na Rússia, nos Estados Unidos, na França, no Brasil, no Japão, na China e você sentirá uma angústia dentro de cada ser humano.Cada vez menos humano.Cada vez menos indivíduo.Cada vez menos gente.Porque, quer nos parecer, os homens que criaram sistemas políticos, perderam-se no meio do caminho.E o que é preciso, em termos de mundo, (e este grito é inútil e se perderá no vazio), é recolocar o homem como meta prioritária.A lágrima da criança oriental é igual à lágrima da criança ocidental… e as lágrimas das duas são iguais a todas as lágrimas de todas as crianças do mundo porque são salgadas.Então o que é preciso é melhorar o amanhã de todas as pessoas, cuidando do presente das crianças de hoje.Como poderá o ano novo ser melhor?Não se iluda, se os homens promotores de infelicidades continuarem agindo da mesma maneira!Mas há uma chance.Há uma possibilidade? Há uma.É você, no seu círculo, na sua própria vida, no seu pequeno mundo (porque você tem um limite de ação, você mora em um determinado lugar, trabalha em outro).Você vai e volta.E você tem um círculo, pequeno ou grande, de amizades e este é o seu mundo verdadeiro, de fato.Se você conseguir melhorar as condições de relacionamento neste seu pequeno mundo, neste mundo (família, trabalho, diversões, amizades), o mundo inteiro ficará menos ruim, ficará melhor.Porque você o melhorou no seu pequeno ou no seu grande círculo de relações.Experimente, tente. Afinal de contas a vida é sua, é minha, é nossa, e ela passa tão rápida, tão veloz, de repente você não está mais, de repente você quer abrir os olhos e não abre mais!E você não fez e você não viu, você não sentiu, você não melhorou nada.Como poderá o ano novo ser feliz se você não for feliz?Como poderá o ano novo ser melhor se você não for melhor???
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Scarlet O´Hara
“Agora estou cansada. Amanhã eu penso nisso", diz minha heroína na cena final do clássico "E o vento levou..."
Tem gente que tem síndrome de avestruz...
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Freud explica
Ele fez igual ao Neno, que fez igual ao meu pai.
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Sofrenildo sai em férias

Então ele resolveu sair de férias. Depois de adiá-las, estava definido: 15 dias de ócio. Na programação, um casamento e uma viagem com a mãe. Depois, só sombra e água fresca em Camboriú. No meio do caminho, no entanto, surgiu uma viagem pra Bahia e, para não perde-la, resolveu ampliar as férias e ficar 24 fora do trabalho.
Desceu assim, de carro para o Rio Grande do Sul. Mais precisamente, para o interior do estado, para o casamento. Uma festança só, daquelas em que a gente encontra os amigos da infância. Na viagem, chuva. Na volta, no caminho para o aeroporto, quem estava sob o carro: uma nuvenzinha. Mas tudo bem. Ele ia sair do Sul para o Nordeste e, lá, sim: sombra e água fresca.
E lá na Bahia a meta era voltar “neguinho”. Tinha obrigação de trazer no corpo a marca do sol. Mas a viagem que ele pensou que ia ser moleza, era uma correria só: de um lugar para o outro e, quando finalmente chegou ao Paraíso – diga-se Morro de São Paulo, o lugar considerado mais bonito daquela costa – eis que, quem estava lá? A nuvenzinha. Era como se ele carregasse em cima da cabeça uma nuvem, cheia de chuva, que o acompanhava. Ok, haveria outra oportunidade de sol, em um lugar maravilho: no Rio. E, além disso, depois de lá rumaria para Camboriú. Então, tudo bem, ainda tinha metade das férias para curtir.
Pegou o avião, confiante de que aquele que insistia em fugir, apareceria em outro lugar. Mais uma vez pegou a estrada, desta vez com a mãe e o resto da família. Destino: Cidade Maravilhosa. Chegaram lá de tarde e foram direto para a praia. E lá chegando, descobriu que a continuação das férias estava em perigo: Santa Catarina estava debaixo de água, a maior enchente dos últimos anos. Praia em Camboriú, depois do Rio? Nem pensar...
No outro dia, aquela parada clássica: Cristo Redentor. Quando atravessam o túnel, rumando para o bairro, o tempo do outro lado do buraco é outro: enuviado. Mas tudo bem, Sofrenildo estava de férias e nada poderia abalá-lo. Subiu o Cristo e foi tirar aquela foto tradicional, ao pé do Redentor. A mãe, o papagaio e o periquito fizeram as suas fotos. Agora era a vez dele: click. Correu para ver: não aparecia o Cristo! Apenas uma grande neblina. Justo na foto dele! Tá bom, a solução era ir pra praia. Curtiu o resto do dia, com os pés na areia...
Mais uma vez, pegou a estrada, rumo ao Sul. Mudanças de planos: já que não poderia curtir as praias, curtiria um futebol em Porto Alegre. Foi desviando de queda de barreira, aumentando os percursos para fugir da enchente e chegar, são e salvo à terra natal. Se o resto das férias tinham sido problemáticas, agora o fim seria bom.
Mas Sofrenildo estava em férias e, para Sofrenildo, isso não é algo comum. Lá embaixo do Hemisfério ele descobriu que havia cortes em seu emprego e que o retorno seria complicado, com muito mais trabalho. E, mais uma vez, a nuvenzinha o acompanhava. E, junto com ela, uma coceira no pé. Tinha pegado bicho-de-pé nas areias de Copacabana. Ah, não! Isso já era demais!
As férias estavam acabando e, para coroa-las, Sofrenildo foi ao campo ver o seu time jogar. Era final do campeonato. Ou tudo o nada. Primeiro tempo e nada. Segundo tempo e gol do adversário. Sofrenildo olhou pro céu: não havia nuvens. Pensou naqueles 20 dias de férias até ali. O pouco do sol que pegou já estava desbotando. Alguma coisa tinha de dar certo! O tempo passava e o jogo não avança. Apito final. Agora ia pra prorrogação. Dois tempos de 20 minutos. Os primeiros 20 aconteceram e, mais uma vez, nada. Começaram os últimos 20... O coração de Sofrenildo estava a mil. Era tudo ou nada. E eis que algo aconteceu. Caiu um temporal em Porto Alegre.
Brincadeirinha. Um pênalti. Uma falta marcada a favor do time dele. Era a hora. E foi: goooooooooooooooooooooooool. Para coroar as suas férias Sofrenildo levou consigo, além da lembrança física do bicho-de-pé, uma faixa de campeão.
No outro dia, pegou mais uma vez a estrada e, quando chegou em casa, quem estava em cima de sua cabeça? Um baita de um sol.
Sampa
Dezembro/08
Marcadores: Ela pensa que é literatura
Então, chegamos ao final do Campeonato Brasleiro ainda com chances. Três pontos nos separam do título e do atual líder. Lideramos durante várias rodadas e deixamos o São Paulo chegar. Agora, temos de torcer pelo Goiás.
Todos ao Olímpico domingo. O dia promete.
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Katrina/Catarina
Ao ver as imagens da inundação em Santa Catarina, a imagem que lembrei foi a de Nova Orleans, abatida pelo furacão Katrina.
Nunca na minha vida tinha visto algo assim, tão terrível, tão perto.
Por diversas vezes tenho visto desmoronamentos em Santa Catarina, "quedas de barreiras" em estradas, como no Carnaval passado. Do mesmo modo, casas desabando no Rio de Janeiro em todo o começo do ano. É normal.
Em minhas férias de 2001 ia subir de carro para Brasília (o que o fiz) e ficar uns dias na casa de uma amiga em Blumenau (que conheci em Pelotas e que não via há algum tempo). Estava entre setembro e outubro e as chuvas começaram. Quedas de barreira bloqueavam as estradas acima de Florianópolis e minha amiga precisou sair de casa porque o rio estava subindo. Minha subida foi adiada e a estada, diminuída. Minhas férias já estavam quase acabando quando consegui atravessar o rio Mambituba e fiquei apenas uma noite lá. Não tinha mais tempo. E porque? Porque tive de esperar a chuva passar para sair do Rio Grande.
Na ocasião, muita gente ficou desabrigada em Blumenau. Mas, quando cheguei, em plena Oktober, "a parte nobre" da cidade já estava bem e o clima era de festa. No entanto, houve uma enchente. Como há todos os anos no Rio de Janeiro, no verão.
E nada tem sido feito. Sistematicamente. A nós, que só usamos as praias de Santa, mas não vivemos lá, nos resta apenas uma coisa: ajudar. E retribuir a beleza daquele lugar.
A
Folha de hoje fala da comparação que citei acima.
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Deus grego
- Por que tu não disseste que o amigo dele era bonitão?
- Não disse?
- Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!, reclama a outra, do outro lado da linha.
- Hummm (a outra fica pensativa. A amiga tinha razão. Ele era bonitão). Tem certeza? Eu falei tanto dele na volta das férias.
- Mas não disse que ele era bonitão!
- É (Ela pensa: não disse porque achou que ia ficar na cara). Mas e como tu soubeste que ele é bonitão?
- Pedi pra ver uma foto.
- Tá bom. Então agora tu já sabes que ele é bonitão.
- É, mas por que tu não disseste?
- Porque ele não é bonitão.
- Não?
- Não. Ele é um deus-grego.
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De volta
Não abandonei o blog. Só estou em uma correria. Mudei aqui no jornal e a faculdade está à mil. Mas promote textos novos, em breve.
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Férias... Vou ser feliz e já volto

Parte de minhas férias foi em BSB. E daí? Alguém pergunta. Um monte de gente não consegue conceber que alguém venha passar as férias aqui. Eu, sim. Porque adoro aqui!!!
Desta vez fez até friozinho...
Daqui sigo viagem, para lugar incerto e não sabido (eu sei, mas acho melhor não escrever aqui, até viver tudo, por causa do olho grande). Fazia muito tempo que não curtia as férias do jeito que vou fazer, mas precisamente desde quando morava em BSB (acho que fiz isso em 2001 ou 2002).
Aqui em BSB fiz tudo o que queria, todos os "rituais" místicos. E, além de tudo, vi os meus amigos. Inclusive alguns que, da última vez, não estavam aqui.
Pra variar, não podiam deixar de me sacanear: o Paulo me chamou de evangélica (porque o cabelo tá comprido e estava liso). A Fabíola de "Ingrid Bittencourt" (por causa do comprimento). Resultado: num almoço, ficaram falando: ela não lembra como é morar na cidade, precisa de ajuda, etc. Uma farra só.
Além de tudo, brinquei um monte com o Bê (filho da Lê e do Fábio).
Bem, meus dias em BSB foram o máximo e agora sigo viagem.
O MM (vulgo Fernandão) sempre morreu de ciúmes quando eu vinha pra cá, por causa de "ex". Bobagem. Como diz um amigo, ex é ex se não fosse tinha outro nome. Durante o tempo em que estivemos juntos, ele sempre ficou com a pulga atrás da orelha, sem entender porque eu gosto daqui (é só ler
Candanguinha, entre outras coisas). Insegurança: só existia dois modos de eu ficar com um ex: estar naquela fase em que eu e MM estamos (pouco tempo separados, que dá saudade, etc) ou há muito tempo sem ninguém (carente). E, mesmo assim, não temos mais nada a ver eu e os ex que moram aqui. Somos apenas amigos que se gostam e se querem bem. Sem outros sentimentos. Como disse: o afeto se transformou.
Bem, é isso, não sei quando volto a escrever aqui. Inté.
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Coisas da vida
Então viramos amigos, assim como aconteceu com outros de quem também gostei intensamente, e seguimos nossas vidas separadas. À revelia, o afeto se transformou.
É uma pena tudo isso...
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É difícil

É difícil voltar para casa sozinha, sem a tua companhia.
Não é fácil ter de me ocupar nas noites que antes eram tuas.
É muito complicado não te dar carona, nem jantar contigo.
É difícil te ver e não te tocar. Te ouvir e não te acariciar. Nem arrumar a tua roupa ou o teu cabelo.
Não é fácil dormir todas as noites sozinha.
É muito complicado não esperar a tua ligação, nem o teu afeto. Muito menos não poder contar contigo.
Eu não consigo conceber que não vamos mais dividir os sonhos ou as angústias.
Também não concebo a minha vida sem teus beijos e carinhos. Muito menos sem te dar colo ou receber.
Pra mim é realmente muito difícil estar próxima e me manter distante. E estando longe não querer ficar perto.
Não é nem um pouco fácil te olhar e não te admirar. Nem sentir saudades.
Pra mim é complicado conviver contigo e fazer de conta que não aconteceu nada. Que não vivemos este tempo juntos.
Eu não consigo conceber que terei de apagar da memória tudo para não sofrer. Que amanhã estarás com outra.
É difícil imaginar que nossas vidas nunca mais vão se cruzar.
Não é fácil olhar para trás. Nem olhar para frente e saber que não seguirei contigo.
É muito complicado conviver com tua presença ausente.
Mas o mais difícil de tudo é nem ao menos ter notícias tuas...
BSB Julho/08Marcadores: Despedida, Ela pensa que é literatura
Eu agradeço

Eu te agradeço pelas horas que passamos juntos. E os os lugares que conhecemos.
É, meu muito obrigada, pelas noites que dormimos juntos. Mas também pelas passadas em claro.
De fato, eu sou grata pelas vezes que me deste colo. E as que me permitiste te dar.
Sim, eu devo confessar gratidão por teres chorado e me contado alguns dos teus segredos. Assim como eu o fiz pra ti.
Eu te agradeço pelas pessoas que me apresentaste. E aquelas que eu coloquei na tua via.
Meu muito obrigada pelas insônias que acompanhaste, pelas que me deste e pelas que abrandastes.
Sou grata por teres me colocado em tua vida. E teres entrado na minha.
Devolvo a minha gratidão pelas jogatinas, pelas risadas, e tudo o mais.
Ah, e as noites de pipoca! Não tinha como não agradecer...
Obrigada pelos banhos juntos. No chuveiro, no mar, na cachoeira.
Sou grata pelas brigas, que me fizeram rever posições. Pela tua juventude e daqueles que te o cercam.
Eu agradeço pelas viagens. Pelas alegrias que me deste. Por me apresentar novos sons. Por ouvir comigo aqueles que eu gosto.
Obrigada por ter superado alguns problemas, por ter deixado algumas convicções de lado, por ter cedido em outas vezes. Enfim, por ter transformado nossa relação no que foi (mesmo que pudesse ter sido melhor).
Assim, eu te agradeço por teres feito parte da minha vida.
Só tem uma coisa pela qual eu ainda não agradeço: por teres desisitido da gente.
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Minha Esquilinha
Agora eu também tenho a minha "Saisad" (Tá bom, o Júlio disse que o
nome é outro, mas é assim que lembro de o Gabi pronunciar). Ou melhor, igual a da Érica, porque o Gabi tem um macho, vermelho e ela, rosinha. Depois de comprar um vermelhinho pra colocar no carro (Ver
Que nem criança), agora eu ganhei a minha, de pelúcia, pra dormir agarradinha... Assim que der, publico a foto dela. Tão lindinha... Foi um dos presentes que o "moço" (vulgo Fernandão) me deu. Eu simplesmente adorei. Por um monte de motivos. Inclusive porque eu sei que ele comprou pensando que eu ia gostar. Adoro presentes. Mas sobretudo as coisas simples que a pessoa olha e vê a minha cara. Isso eu adoro. Pode ser uma simples balinha... Mas eu adoro quando alguém me dá algo dizendo que lembrou de mim (Freud explica).
E trouxe ela comigo, para passar as férias acompanhada, he, he. Nós dois não temos jeito mesmo, só batendo... Mesmo separados, brigamos, somos birrentos. Mas no fundo os dois querem voltar. E ninguém dá o braço a torcer... (A Lu, advogada do diabo, diz que ele está se esforçando e que não devo ser tão dura assim).
Bem, estou em BSB com minha Saisad, revendo os amigos. É tão bom estar aqui. Eu adoro esta cidade,
que fez eu descobrir quem eu era. Ela é mágica. E adoro os meus amigos, construídos aqui ou os que vieram depois pra cá. O fato que aqui é um lugar fora de série e detesto que falem mal da capital federal, do Planalto Central.
Depois sigo as férias. E a vida. Porque sei que sairei daqui, mais uma vez, diferente. É aqui e em Porto Alegre que me refugiu quando preciso recarregar as baterias...
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Ufa!!! Acabou...
Enfim acabou aquele semestre que eu pensei que ia ser difícil. E, de fato, não foi fácil. Quando olhei para ele, me apavorei: como dar conta de tudo?
E então, eu tive de abrir mão, tive de aprender a dizer não. E dói. Sobretudo quando falamos para quem gostamos ou para o que gostamos. Mas segui em frente, apesar dos pesares.
O saldo deste semestre foi complicado: duas cistites e duas sinusites, além de outras ites ao longo do período. O corpo não aguentando o ritmo. E o pior: até eu me formar vai ser assim ou mais.
O saldo também foi o fim de um relação. E por que? Porque quis uma relação! Não dá pra entender, mas casa um com o seu cada um, né? (O texto
"Ela cheia; eu vazia" tem a ver com isso).
Alguns questionamentos seguem para o próximo, ainda a decidir. Outros foram agora.
E então, saio de férias. Quem sabe depois dela as coisas melhoram? Ficam menos intensas? Os não são menores? Sei lá...
Marcadores: Facul, Meu querido diário
Ela cheia; eu, vazia

Mais uma vez eu vejo a lua cheia. E sinto o meu coração vazio. Foi esvaziado como um balão que desamarra e solta o ar. De repente, pela vontade dos outros.
A lua que enxergo é uma bola redonda. E eu sou o futebol sem ela... Vazia. Lá dentro, o São Jorge me olha sem entender porque. Eu também não sei.
No meu caminho, que já foi nosso, a lua me acompanha. Cheia. Do que? Ela me olha como quem zomba. Cheia! E eu vazia. Apenas meus olhos, que a seguem, estão cheios. De lágrimas, que teimam em queimar meu rosto e esfriar o coração em brasa.
Sinto-me minguante, seguida pelo espelho que insiste em cutucar o dedo na ferida e mostrar o lado negro da lua. Ela está linda. Eu, desfigurada.
Eu olho para esta lua, cheia, e ela me traz lembranças de um passado que revive cada vez que ela volta. Eu admiro a lua. E tenho raiva desta. Queria que ela nunca mais se enchesse para que o meu coração não se esvaziasse.
Aeroporto
Maio/08
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Lua
Sex and the city

No sábado retrasado metade do grupo foi ver o filme (a outra metade ficou em casa). Demos risadas e choramos. E as duas em questão, estavam solitas há pouco tempo...
Sempre fiquei pensando que eu era a Charlotte, a mais romântica da turma. Mas me identifiquei com a Carrie, por causa do Mr. Big. Tive alguns na minha vida, pelos mais diversos motivos. Posso elencar três. Um porque pensei que fosse o homem da minha vida e se transformaria no
Pai do Pedro. Virou da Gabriela. Outro pelos desencontros da vida, só ficamos juntos 10 anos depois (ver
Não era nada óbvio). E o terceiro, o "Fernandão", por proporcionar um relacionamento tão ioiô (que nunca vivi antes).
...
No sábado retrasado, ele me fez um favor. E tava tão bonitinho naquela calça jeans e com a camisa azul que gosto. Pela primeira vez, em todo este tempo separada dele, não só senti vontade de acolhê-lo, mas de agarrá-lo. Snif, snif.
Marcadores: Gurias, Meu querido diário
Coisas do Rio Grande
Já faz quase um mês que fui e fiquei de escrever. Mas estou na correria da facul. Final de semestre, relatórios de estágio, apresentação. Ufa!
Voltei do RS com nem todos os problemas resolvidos. Mas mais tranquila para tomar as minhas decisões.
Além de "lamber as crias", como diz um amigo aqui de Sampa, também fiquei vendo o que é morar lá, tanto tempo depois. Nunca imaginei que voltasse. Hoje até penso que poderia... E, nesses dias gaúchos, percebi uma coisa tão típica nossa, que tenha a ver com identidade: como as pessoas usam camiseta de futebol. Aqui eu vejo mais depois de um dia de jogo. Lá é todo dia.
... Das pessoas que conheci pessoalmente, depois de muito falar por telefone, o Guilherme promete ser um amigo muito especial. Um anjo para as horas difíceis.
... Não deu tempo de ver todas as pessoas que eu queria, nem de fazer tudo.
... O Dr. Fábio é, de fato, o máximo. Ainda mais quando trabalha corpo e mente. Minha lesão, segundo ele, tem a ver com meus objetivos de vida e de mulher. Que coisa.
Marcadores: Meu querido diário, Rio Grande
Muriqui*

Uma das coisas mais difíceis na vida é a despedida, deixar pessoas que se gosta.
Lembro das despedidas de Porto Alegre e Brasília.
E, nos últimos dias, mais uma, importante. E aquele abraço doído, ainda martela a minha cabeça (e o coração).
Mas é a vida...
Eu quero segurança; ele, liberdade. Incompatíveis.
Acho inconcebível que duas pessoas que se gostem precisem se separar, mas se os objetivos não são os mesmos... Talvez tenha lido conto de fadas demais. Tenho um pensamento infantil em relação ao amor, como diz a minha psicanalista. Ele também. Porque fazer coisas de birra, como vingança, também é infantilidade.
* um macaquinho de São Francisco Xavier, em extinção
Marcadores: Despedida, Meu querido diário
Basta porque chega

Chega uma hora em que chega. Simplesmente. Sem sim, nem não. Sem falas. Apenas o tempo que se acaba. E então, a vida fica suspensa...
Diante do hiato, muitas vezes não sabemos o que fazer. Olhamos para trás e não entendemos porque estamos ali. Como chegamos? Só o tempo explicará. Foi o tempo que se acabou.
Chega uma hora em que chega. Basta um silêncio, uma palavra não dita, mal dita, falada na hora errada. E o mundo desaba. Porque o tempo se desgastou.
Fica um hiato entre os dois, entre quereres diferentes. E, apesar disso, o tempo foi estendido. Talvez por isso, esgarçado. Agora rompido...
Chega uma hora em que chega. Estica que arrebenta. Desgasta. Não é preciso mais nada. Sem desculpas, sem palavras, sem meias verdades. Porque o tempo se alargou demais, além do permitido.
Fica um hiato, que cansa. Basta, porque chega uma hora em que chega. Simplesmente. E o resto é ruído.
Sampa
Maio de 2008
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A tua figura que desfigura

A tua figura que desfigura
Tens a fama de bom menino. Pra quem?
A gente sempre se apaixona pelo nosso espelho. E, diante dele, o que eu vejo? A penumbra de uma imagem. O rosto desfigurado.
Os olhos amendoados, de gato, agora são apenas de gato escaldado. Muito escaldado. Em demasia... Não são mais olhos de gato. Os olhos se apagaram. E na imagem do espelho, não existe mais nada. Apenas a sombra do que um dia já foi.
Delineia-se um rosto. De bom menino. Pra quem? Afeito a boas ações...
O cabelo, pouco, quase não se percebe mais no espelho. Um a um foi caindo, junto com tudo o resto que se foi. Em cada fio, uma magia perdida, o encantamento, que se esvaia. No dia-a-dia cada fio era arrancado por um dos dois.
Quando eu olho pro espelho não vejo figura alguma.
Por quem mesmo que eu me apaixonei?A gente se apaixona por si. E tenta colocar no outro um pouquinho da gente. Somos eternos egoístas. Auto-amados.
O amor a si próprio é o limite do amor. O limite da paixão está no amor-próprio.
Quando eu olho pro espelho, eu vejo um rabisco de alguma coisa. Um borrão mal apagado.
A boca pequena sumiu de tanto deixar a frase no vazio. Ela sumiu no ar das palavras não-ditas. Mas, principalmente, se apagou a cada dia, nas feridas, nas palavras faladas para ferir, para machucar.
O que é que tem do outro lado, quando eu olho no espelho? O que é que a gente vê? Ilusões.
Não tem olhos de gato, não tem cabelo.Os fios todos ficaram soltos, se apagaram. Cadê o rosto onde eu toquei?
Chego mais perto do espelho para procurar alguma coisa que identifique. Eu tento tocar na sobrancelha, ela não existe mais. E vou apalpando cada pedacinho daquele rosto que um dia já foi meu. E a mão desliza pelo espelho, mas não tem nada. Ela esfrega, freneticamente, mas não tem nada.
Eu encontro os meus olhos no espelho e não vejo nada. Então, eu me distancio. E vejo a tua figura, desfigurada.
Tens fama de bom moço, pra quem?
Pra mim fica só um fantasma, que insiste em aparecer no meu espelho, essa lembrança do passado. És uma criança mal criada.
Sampa
Maio de 2008
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Sobre alguém
Escritos...
São como as dores do parto. Dói, mas nasce (no blog).
Nesta fase de inquietações, estou super produtiva. Mas como não tenho tempo para escrever, vou gravando no celular. Portanto, em breve:
"A tua figura desfigurada" "Basta porque chega" "Triângulos amorosos"
"Coisas do Rio Grande"
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Dois anos

No último dia 4 meu blog fez dois anos. E ontem, vindo para o Rio Grande, escrevia um texto no avião (que ainda será publicado) e pensei no que me motivava a escrever (no Ela pensa que é literatura). Pois foi para publicar meus pretensos textos literários que criei o blog. Lembrei então que uma vez um amigo comentou do meu modo de amar e se referiu às minhas escritas.
Fiquei pensando que muitos dos meus textos tiveram musos inspiradores (no sentido do ser apaixonado). Mas outros foram as cidades e as pessoas que conheci, vivências, etc.
É importante ressaltar que a ordem de publicação deles não foi cronológica (alguns escritos são antigos, anteriores ao blog), e esta "cronologia informal" não tem juízo de valor (importância).
Nota-se que estas horas de Rio Grande serviram para eu colocar o blog em dia. Delicie-se...
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Nostalgias

Eu caminho por estas ruas como quem vaga, no vazio do meu coração. Eu não caminho, eu perambulo.
Eu caminho por estas ruas e elas não me dizem nada. São mudas. Em um silêncio que invade a minha alma.
Eu caminho por estas ruas como quem procura alguma coisa. Numa eterna insatisfação. Mas elas não respondem. Então, eu mudo de rua.
Eu caminho naquelas ruas e encontro desencontros. Eu encontro a ausência sentida.
Eu caminho naquelas ruas, mas a tua presença ainda está longe. A tua ausência se faz presente. Eu caminho naquelas ruas sem saber por onde ir. E me sinto incompleta. Porque eu ainda sinto a tua falta.
Então, eu vou para outras ruas e mais outras. Sempre na tua busca. Nas nossas buscas. Nas buscas das lembranças. Lá naquelas ruas ou nas outras ruas, eu encontro as perdições e sinto falta dessas e daquelas. Então, eu volto para esta.
Eu caminho nestas ruas como quem procura alguma coisa. Eu caminho naquelas ruas à procura. Eu caminho lá nas ruas à procura. O tempo todo eu caminho. O tempo todo, à procura.
Eu não caminho, eu vago. Eu vago com o coração vazio. Eu vago na tua ausência. Eu vago em todas as ausências. Porque sempre haverá uma falta. Sempre alguém não estará naquela rua. Ou nesta. Ou lá na rua.
As ruas são incompletas. As ruas por onde andamos. Ruas com ou sem esquinas. Ruas sempre de desencontros. Ou será que são ruas que a gente se encontra e se perde? São ruas que a gente busca e se acha. As ruas do meu coração, para onde ele me leva. São as minhas ruas, por onde eu perambulo.
Abril/08
Escrito em um dia de muita saudade de alguém específico, que estava em uma das minhas cidades e que me fez lembrar delas e das pessoas que amo nelas.
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Saudade
Olheiras

Olhares olhando olheiras.
Olhando olheiras. Olhares.
Olheiras. Olhares olhando.
Olheiras. Olhando olhares.
Olhares. Olheiras olhando.
Olhares.
Olhando...
Olheiras profundas.
Março/08
Marcadores: Cansaço, Ela pensa que é literatura
A marca dos 50

As duas ficaram cara a cara. E ela não acreditou no que viu. Não podia ser verdade. Era a segunda vez na vida que aquele número se apresentava. Da outra vez, estava ansiosa. Chamavam-a de Magali. Mas agora? O que se passava? Então, não acreditou. A balança, definitivamente, estava errada.
Passados uns dias, colocou a calça com fecho - ela prefere saias ou calças de elanca (tipo bailarina) e, portanto, de elástico na cintura. Ficou justa. "Tá bom, sempre que a gente põe uma roupa dessas, de tempo guardado, fica apertada", ela pensou.
Na volta para casa, falaram de sua bunda. Esses caras que mexem com as mulheres na rua... Magricela daquele jeito, só a chamam de gostosa quando está gordinha. Então, a luz amarela acendeu. E, nas 24 horas seguintes, veio o golpe de misericórdia. Primeiro, uma calça social, que ficou justíssima. Depois, mais uma vez o número estampado em outra balança. Não tinha como fugir. Tinha de correr para um hospital: agora ela podia doar sangue. (Se Deus quiser, por pouco tempo).
Fev/2008
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Gorducha
Rio Grande
Por coisas da vida, mudaram meu vôo e tô indo hoje pro Rio Grande. É a primeira vez em anos que tenho vontade de ficar...
... Será um momento de reflexão da vida. Dos projetos e planos futuros (todos, inclusive afetivos)...
... Uma amiga disse que eu que causei o problema ao trazer o ser para trabalhar no jornal. Não me arrependo, apesar de tudo. Voltar a uma redação o fez feliz por alguns meses e isso que importa.
... Rio Grande... Tempo de colocar o blog em dia.
Marcadores: Meu querido diário, Rio Grande
Ninho
Eu quero ir pra não voltar.
Para algum lugar que me abrigue.
E me baste.
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Andanças
Por onde andas?
Não sei.
Também estou perdida...
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Pílulas
Por que não confessam?
Tá bom, vão dizer que eu estou pré-julgado. Ok. Estou, desde o dia 30 de março, à noite, quando vi a notícia na GloboNews. Sim, desde aquele dia eu suspeitei dos dois. Na hora em que vi a notícia achei que tinha algo mal contado.
Na segunda-feira um amigo meu disse: Não pode ser, não consigo imaginar um PAI participar do assassinato da filha. No que eu respondi: Quem disse que ela foi desejada? Quem disse que foi planejada? De fato, os dias seguintes mostraram que quando a gravidez ocorreu, sem planejamento, ele já estava mais lá que aqui...
Os dias se seguiram e, mais uma vez, a gente falando do caso, me veio uma hipótese (na época disseram que o filho mais novo tinha 11 meses). Que sabe foi depressão pós-parto? Ela teve uma crise, esganou a criança e pensou que tinha morrido. Por conta disso, inventaram a história da terceira pessoa. Ficamos "matutando" a minha tese.
Seguiram-se mais alguns dias. E os laudos da polícia comprovaram que os dois estavam envolvidos. E eu ainda achando que pode ter sido sem querer. Sei lá, um ataque de fúria, a criança desmaiou e eles pensaram que tinha morrido. E jogaram pela janela para forjar.
Se eles são culpados mesmo e se aconteceu "sem querer", por que não confessam de uma vez? Pelo menos atenuam a pena.
No Fantástico de domingo, eles só comprovaram a minha tese. Seus corpos negaram o que a boca afirmou...
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Olha a toca JuveNAL
Tá bom, a gente tá fora da final do Gauchão. Assim como eles estiveram no ano passado. E o Juventude está dentro, de novo.
Para nós, gremistas, a decisão dos próximos dois finais de semana trará dois gostinhos:
1. De que perdemos (e fomos desclassificados) pelo campeão. Ufa....
2. Que a toca deles vai se confirmar.
Do lado de lá, um MEDO. Sim porque o Juventude comprovou neste final de semana que não é só toca do Inter, mas também do Interzinho. E que pode perder em casa e GANHAR FORA. E assim será.
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Perdas
Primeiro o Timbuka. Depois a Carmen Silva.
Porto Alegre perde.
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Que nem criança

Tinha pra mim que a maior concentração de gaúchos por metro quadrado em Sampa ficava na Vila Mariana. Tanto amigo meu que, assim como eu, mora (ou morou) lá... É uma coisa! Será que é porque naqueles metros quadrados têm ruas com nomes sulistas? Pelotas, Bagé, Rio Grande, Joinvile... Não sei.
Mas a minha tese caiu por terra há pouco mais de duas semanas. Agora, a maior concentração de gaúchos por metro quadrado nesta cidade chama-se: esquina da Avenida Pompéia com a Turiaçu. Mais precisamente: no Bourbon Shopping. Melhor ainda: no Zaffari que fica dentro dele.
Semana passada estive lá. E encontrei outros gaúchos. Naquela noite de sábado era a quinta vez (e o super tinha sido inaugurado na sexta da semana anterior) que o Fernando ia ao Zaffari. E o carrinho tava cheio... Mais de R$ 150 em compras (eu fui mais comedida, gastei pouco mais de 60 pila). Lembrei que teríamos um encontro de gaúchos no domingo e liguei pra Mari. Ela disse que era no outro domingo e, antes que eu falasse alguma coisa me perguntou: Vamos no Zaffari amanhã? "He, he, he, eu tô no Zaffari".
O Zaffari em Sampa virou programa obrigatório dos gaúchos. Todo mundo que eu conheço ou já foi lá ou está louco para ir. E, quando chega, vira criança lá dentro. Foi assim que eu me senti... Tem cuca? Tem. Será que tem aquela lasanha de massa de crepe, feita na serra, que só tem no Zaffari? "Não te preocupa, nós vamos passar por todos os corredores", diz o Marcelo. E os três, que nem crianças, percorrem os corredores do Zaffari. E se deslumbram com as descobertas: Mariola, Rapadurinha Dacolônia, Bibs (que a gente já achava aqui, de vez em quando, no Extra), Chocolates Neugebauer (também disponível no Extra e Pão de Açúcar) e Pastelina!!!! Pros guris, carnes com selo do Rio Grande, além de salame Majestade e a mostarda do Ribs (que o Fernando já tinha estocado em uma de suas visitas). Pra mim, leite de soja da Olvebra (SOY) e uma bolacha gostosa que só tem no Rio Grande, amanteigada, com goiaba, que esqueci o nome. Mas não tinha nata (tava em falta), nem iogurte Dutambo (que eu ia contrabandear pra Letícia, de BSB). E não achei Plic-Plac. Muito menos Polar.
Bem, o fato é que fizemos uma festa. E pra não deixar de ser bairrista, comprei até o esquilinho do Zaffari pra pendurar no meu carro. No caixa, perguntei pelo de pelúcia. E a moça se prontificou a ir buscar. Não era pra tanto... Mas lembrei do Gabi, que adora esse esquilinho e o chama por um nome que agora não lembro, super engraçadinho.
Mas as compras não duraram nem uma semana (pelo menos as minhas). Levei pro trabalho e foi uma festa, principalmente a Mariola. Pelo andar da carruagem, terei de colocar uma despesa extra no meu orçamento: 60 por semana no Zaffari...
Mas, apesar da faceirice, veio uma questão: e agora, quando os amigos viajam pro Rio Grande, ninguém vai pedir mais nada? O legal era sempre que um ia pra terrinha, perguntar se alguém queria encomenda. Com o Zaffari aqui, um pedaço do Rio Grande também está. Sem encomendas.
Abril/08Marcadores: Ela pensa que é literatura, Meu querido diário, Rio Grande
de Ricardo Freire, do Guia do Estadão
Ela me pegou no bote, tentando fotografar com o celular a etiqueta que informava o nome e o preço daqueles pãezinhos.
- Ha, ha! Nunca viu um cacetinho antes?
No que eu respondi, na xinxa:
- Bem capaz!
Rimos os dois. Só fala "Bem capaz!" quem já viu muito cacetinho na vida. Passamos, então, às apresentações formais. Começando com a informação fundamental:
- Colorado ou gremista?
Ela também era colorada. E já era o terceiro dia seguido que vinha ali. Dessa vez, tinha trazido a filha.
- Eu falo pro meu marido: vou até ali o Rio Grande e já volto.
Não sou só eu, nem a minha nova amiga colorada. A colônia gaúcha inteira da cidade está em êxtase. São Paulo agora tem um supermercado que vende pão cervejinha, cuca de banana, erva Barão, doce de leite Mu-Mu, ximia Piá e mostarda Rib's. "Bergamota, R$ 1,49 o kg", dizia o cartaz pairando sobre a banca de tangerinas. Claro que eu fotografei, também.
Pelas minhas contas, esse Zaffari que abriu junto com o novo shopping Bourbon, na Pompéia, chegou com pelo menos vinte anos de atraso. Quando desembarquei por aqui, no meio da década de 80, os supermercados paulistanos eram um lixo. O melhorzinho da época, o Eldorado, não chegava aos pés daquilo a que estávamos acostumados em Porto Alegre. Hoje São Paulo tem supermercados excelentes. Mas nenhum outro tem prateleiras que tratam a gente por "tu".
- Jorge! Vem cá. Escuta, Jorge, é verdade que dá pra encomendar torta Marta Rocha?
Jorge é o padeiro/confeiteiro – importado, claro. Minha amiga colorada já é íntima dele. Ainda bem. Se não fosse por ela, como eu saberia que agora é possível comer torta Marta Rocha (camadas de bolo de dois ou três sabores, entremeadas com fios de ovos, doce de ameixa e duas polegadas de suspiro) sem passar por Congonhas nem por Cumbica?
Mas o Zaffari não é só uma Feira de São Cristóvão para retirantes que emigraram de Varig. O Zaffari está para os gaúchos assim como, sei lá, o Gantois está para os baianos. Está pensando o quê? O vice-governador do Rio Grande veio para a inauguração do shopping. Quando a prefeitura ameaçou não dar alvará de funcionamento, fiquei com medo de um conflito bélico – meu certificado de reservista é de lá.
Não encomendei nenhuma Marta Rocha, mas aproveitei para fazer um estoque de mostarda Rib's (mais ardida que wasabi). Ao passar pelo caixa, quase perguntei:
- Aceita pila?
Marcadores: De outros, Rio Grande
O que se passa com o Imortal Tricolor?
De domingo a quarta-feira. Em apenas três dias duas decepções...
Domingo não acreditei quando soube do resultado. Como assim? Não estávamos invictos?
Pois bem, hoje recebi a notícia do jogo de ontem. Estava dormindo e não vi, nem ouvi, nem nada. E pensei que quem me contou (um colorado) estava de sacanagem. Mais uma vez não acreditei. Acessei o site da Zero e estava lá: Incompetência.
Transcrevo, abaixo, parte do texto que a Nádia, minha irmã, escreveu sobre o assunto. E que eu concordo.
Que quinta-feira dolorida essa. Segunda também foi. Difícil de lidar com algo que nos foge ao alcance das mãos. Um sentimento de “terra arrasada”, de impotência.
Secamos nossas lágrimas do “gauchão”, juntamos todos nossos cacos e fomos de novo ao Olímpico, com a única tarefa de incentivar do inicio ao fim, de apoiar, de passar nossa força e carinho, tentamos tranqüilizar nossos jogadores, dar a calma necessária para que eles pudessem, dentro de campo, reverter a situação complicada, e com isso, pudessem superar os traumas e se concentrar no objetivo principal que era a classificação à fase seguinte desta outra competição.
Dentro de campo encontramos um Grêmio machucado, mas com bravura, com dignidade, buscando melhorar, surpreender aquele que nos surpreendeu na quarta-feira anterior.
Mas não deu. Perdemos nos pênaltis e ali, diante de sua torcida, o bravo Grêmio ainda que com uma vitória em campo, estava sendo eliminado de outra competição em menos de uma semana. Mal tivemos tempo de curar a ferida, era nossa ultima chance de salvar o semestre, apostamos nossas fichas naquela noite e de repente, tudo estava indo embora diante dos nossos olhos.
Não há como não se contagiar com a tristeza, com a dor que assola o coração.
O dia fica cinza. Assim como hoje.
Temos de curar nossas feridas e levantar a cabeça, tentar novamente.
Celso Roth não tem mais ambiente no Grêmio. Provou que continua o mesmo burro e teimoso. Não aprendeu, nem amadureceu com o tempo.
Se não tivesse feito tanta trapalhada diante de um jogo praticamente ganho no domingo contra o Juventude, talvez, ainda contasse com algum tipo de apoio da torcida. Mas não há como esquecer o que aconteceu.
No domingo não foi “uma única derrota e estamos fora da competição”, foi muito maior que isso, um retrospecto jogado no lixo, a semifinal regional ao alcance das mãos e num piscar de olhos, uma humilhação vergonhosa.
Foi irresponsável inventar numa hora tão decisiva. Custou caro, muito caro.
Ontem, o Grêmio se entregou tanto ao jogo que cansou, os jogadores estavam nitidamente exaustos, no limite. Pênalti é loteria, verdade. Mas, também é competência.
Diante das circunstancias desde o domingo, não tivemos nem competência e nem sorte ontem à noite.
Menos de uma semana e estávamos com a dura realidade diante dos olhos, fora de outra competição. Dando adeus ao sonho do pentacampeonato da copa do Brasil.
Chega de dar soco em ponta de faca, o Grêmio não é uma instituição beneficente para fazer caridade, se não tem condições de servir ao Grêmio, manda embora, sem pena.
O fato é que, algo tem de ser feito antes que seja tarde. Antes que todo o ano de 2008 tenha sido um grande erro para o time do Grêmio e toda nação gremista.
Saudações hoje tristes, mas SEMPRE TRICOLORES!
Nádia BaldiMarcadores: De outros, Futebol, Meu querido diário
Olhos indecifráveis

Os olhos desviam. E a gente não sabe o que eles escondem. Não brilham. Eles desconfiam. E, por isso, tornam-sem menos belos.
Os olhos lacrimejam. Os olhos sorriem. Mas não são verdadeiros. Não estão felizes. E, por isso, tornam-se menos belos.
Os olhos têm medo. Eles olham para todos os lados. Mas não buscam. Estão perplexos? Não, apáticos.
Os olhos não querem. Abrem-se e fecham-se sem rumo. Os olhos dispersam. Olham para o infinito.
Os olhos não são de gato. Não falam. Difícil entendê-los. Os olhos tiram os óculos, mas não mostram. Eles se apagam. E, assim, tornam-se menos belos.
Os olhos estão opacos. Distantes. Sem vida. Indecisos. Fugitivos. E, por isso mesmo, sem beleza alguma.
Os olhos que outrora vibraram, agora estão quietos. Emudecidos. Indecifráveis. Os olhos são dois. De vidro.
Em fevereiro deste ano.
Ainda atual...
(Ao som de: Eu não sabia que existia esse outro parto de partir - Barcelona 16 - Paula Toller)
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Sobre alguém
Voltando aos poucos
A vida está bem corrida. Mas vou dar um jeito de digitar o que já pensei de textos e escrevê-los.
Estou bem, apesar de tudo.
Mas meio de saco cheio do que faço.
Marcadores: Cansaço, Meu querido diário
Esse texto é pra ti, Mari.Definitivamente o meu irmão é uma farsa. Foi esta a conclusão que eu e a Mari chegamos. Talvez mais eu que ela, he, he, he. Ela vem e me conta uma história do blog do Júlio, super entusiasmada, diz que é mega engraçada ou sei lá. "Tinha um texto muito legal esses dias". E conta... "Viu uma história assim?". E fala. "Eu me divirto muito. E tem uma amiga dele também..." E lá vai. Primeiro digo que não tenho lido o blog, por falta de tempo. Depois, ouço a história. Qual a minha surpresa ao saber que já sei. Tá bom, é meu irmão, eu deveria saber, diriam... Não eu já sei, mas NÃO OUVI DA BOCA DELE. Passei meu Reveillon com ele e um amigo, o fiel escudeiro. É ele, sim, o autor das histórias. O meu irmão é apenas o meio. Ou seja, ele é uma farsa. As histórias geniais, as tiradas engraçadas, TODAS, vieram do fiel escudeiro. Na praia ele falava: "Essa é boa pro teu blog". E não é que todas foram para o blog?
Eu e as mulheres tinha de ter outro nome: O blog do Giovani.
É isso, um pensa; o outro escreve.
E não se fala mais disso, he, he, he.
Marcadores: Família, Meu querido diário
Que zica!!!
Primeiro perco a carteira de motorista. Na mesma semana, tomo uma multa. E no período de menos de sete dias, descubro que meu cartão foi clonado.
Marcadores: Azar, Meu querido diário
De volta
Atendendo a pedidos, estou de volta. Estou bem...
Minhas aulas voltaram e, com elas a correira. Por isso não tenho dado "bola para o meu blog". Tenho dois textos a publicar (feitos em fevereiro) e outros tantos na cabeça. Mas tenho um monte de decisões a tomar referentes aos meus estudos. Então, dei "pausa para a pausa", mas continuarei irregular por um tempo.
Marcadores: Facul, Meu querido diário
Pausa para pensar
Estava de férias. E deste período ficou a reflexão:
"Se depois de um tempo de investimento o retorno não é o esperado, talvez o melhor é colocar o patrimônio em outra aplicação".
Marcadores: Meu querido diário, Relacionamentos
Mais uma enquete
Por que deixar de viver o agora com medo do sofrimento futuro se isso também dói?
Marcadores: Enquete
Mais uma enquete
Qual a moral em deixar de viver o presente com medo do sofrimento futuro se isso também dói?
Marcadores: Enquete
Resoluções de final de ano ou início
Há um ano eu estava repensando minha vida amorosa e eis que, um ano depois me pego no mesmo dilema. Só mudei o foco. Começo 2008 repensando. E os dois textos abaixo têm relação com isso. Um, de minha autoria. Outro, a música do
Pato Fu, que lembra o que senti quando começamos a ficar juntos.
Além de repensar minha vida afetiva, quero para 2008 voltar a dançar. E me curar: dos males da alma,do coração e os físicos. Por fim, quero trabalhar com aquilo que gosto: cultura. Então, que venha 2008!!!
Quanto às decepções amorosas, como resolução de 2008 pretendo não mais me envolver com pessoas que têm medo de amar. E não mais tocar neste assunto, nem mais chorar. Chorei e sonhei com a criatura do dia 20 ao dia 28 e eis que no final de semana, sozinha, voltei a chorar. Daí surgiu:
Maior que o meu.
Inté
(Meu querido diário)Marcadores: Ano novo, Meu querido diário
Maior que o meu

O que queres de mim afinal? Por que insistes em voltar para a minha vida se é para não entrar?
Ficas na porta entreaberta. Um pé dentro, outro fora. E eu te queria aqui, junto de mim.
Cansei de estender a mão, acreditando que segurarias. Cansei de pensar que poderia te ajudar a um dia, de novo, amar. Mas tens medo.
Eu olho para a porta e não sei o que fazer. Queria-te do lado de cá. Mas não entras.
Cansei de insistir.
Cansei de pensar que juntos conseguiríamos.
A porta está entreaberta. Assim permanece há meses. Nem eu fecho, nem tu entras. Com medo. Eu, por medo de te perder. Tu, por medo de te envolveres. E jogas com isso, na certeza de que o meu medo é o maior que o teu.
Eu olho para a porta e vejo nos teus olhos a inconstância. Eles sempre me deram insegurança. Os meus te convidam a entrar. Os teus desviam, olham para os lados. Talvez a procura de algo melhor. Ou de uma saída.
Ficamos os dois na porta entreaberta. Eu queria-te aqui dentro. Mas não entras. Ficas parado a me olhar.
Cansei de te convidar para entrar. Cansei de te esperar. Cansei de chorar pela falta que me fazes, do lado de cá.
Eu olho para os teus olhos e mais uma vez os meus te chamam para o meu lado. Tu ficas parado. Eu sigo te olhando. Insisto pela última vez. Tu não te mexes. Não entras. No fundo, teu medo é maior que o meu. Então, eu fecho a porta.
(Ela pensa que é literatura)
Jan/08
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Vaga-Lume*

Quando anoiteceu
Acreditei que não veria mais
Nenhum luar
Nem o sol se levantar enfim
Mas na escuridão eu te encontrei
A noite agora vem pra me dizer
Que o luar vai me trazer você
Uma vida brilhava ali
Peguei você
Com cuidado em minhas mãos eu quero te guardar
Só pra te ver piscar pra mim
Pois minha casa tão vazia quer se iluminar
Nem preciso te contar eu sei
Vem acende a sua luz perto de mim
Estrelinha do meu jardim
Me deixa ser teu céu pra sempre
Vem acende a sua luz perto de mim
Estrelinha do meu quintal
Na madrugada vagalume
* Música do Pato Fu
Marcadores: Música
Enquete
Nos meus dias de "solteira" no Rio Grande constatei que há um grande número de homens bonitos no estado. Verdade que olhei para os lados, mas não me entusiasmei. Ainda estou na fossa e de que adianta olhar para homens que estão longe.
Mas ficou a pergunta: Por que tem tanto homem bonito no Rio Grande?
Deixo para meus leitores responderem.
Marcadores: Enquete
Coisas da vida
No sábado foi o primeiro final de semana dos últimos 10 meses em que estive "solteira" e, confesso, me senti estranha. Sai em Porto com um amigo de Sampa (Marcinho). Lógico que além de contar a história do meu Fernandão (Marcelo), tentamos nos divertir. Depois de uma certa hora o boteco virava danceteria. E até dancei um pouco. Mas não tive muita paciência para o lugar. Minha vontade era ficar em casa, curtindo a fossa. Não conseguia olhar para os lados. E no céu, a lua cheia me lembrava ... Além de tudo, o papo do povo que frequentava o barzinho...
No dia de Natal ocorreu algo engraçado. Nos últimos três anos, sempre esperei por uma ligação, daquele que até então era o dono do meu coração, antes do Grenal. E ele nunca ligava na noite de Natal. Podia ser antes ou depois. Às vezes bem antes de 24 de dezembro ou só no início do outro ano. E, ao contrário dele, um outro ex ligava. Pois não é que neste Natal, o ex-dono do meu coração (antes do Marcelo) me ligou? Justo no ano que eu queria que o atual dono do meu coração ligasse (mas este, não fala comigo desde o dia 20). A conclusão que cheguei foi que sempre existe um ex para lembrar que o atual não fez o que a gente queria e desejava ...
O texto "
O que fizemos" foi escrito na madrugada. Antes de viajar, deixei na portaria o presente que havia comprado pra ele e que um dia pensei que entregaria aqui, na nossa terra. E na noite de Natal eu enviei uma mensagem, mesmo sabendo que ele não responderia. Porque no fundo, eu gostaria que ele respondesse. Porque no fundo, eu gostaria que ele não tivesse medo de se envolver. E tivesse investido em mim como eu fiz.
Mas tudo bem. A vida passa e a fila anda. E o tempo cura.
Veremos. Por enquanto, curto o meu luto. Como nos textos abaixo, incluindo:
A nossa lua. Mas sei que passa.
(Meu querido diário)Marcadores: Meu querido diário, Relacionamentos
O que fizemos

“O que fizeste do nosso amor?”
“Não era amor”, tu respondes.
É, talvez tu sejas incapaz de amar de novo, um dia.
“O que fizeste da gente, então?”
“Nunca existiu a gente, mas eu e tu”, dizes.
Verdade, quem sabe só eu queria ser um casal.
“O que fizeste do que sentíamos?”
“Sentíamos diferentes”.
“Então, o que fizeste do que vivemos?”
Tu ficas mudo.
“Não vivemos, foi um sonho?”, eu indago.
“Só sei do pesadelo”, respondes (esquecendo o que de bom vivemos).
“O que fizeste de mim? De ti?”, reclamo.
Um silêncio adentra as nossas vidas. Tu tens raiva de mim porque resumes tudo à pressão.
“O que fizeste de mim na tua vida? E de ti na minha? Hein?”, insisto.
Não te quero na minha vida porque não me quiseste na tua, tu pensas.
Eu te olho como quem busca uma explicação para o silêncio do outro lado.
“O que fizeste?”, eu choro.
Apenas minhas lágrimas preenchem o ambiente.
(Ela pensa que é literatura)
Porto Alegre
Dez/07
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A nossa lua

O céu estava nublado naquela noite – como agora estão os olhos meus – e, por isso, nós não vimos que lá fora a lua se enchia. Porque ali dentro tudo se esvaia.
As nuvens cobriam a nossa lua em uma noite de verão. Voltamos ao começo. A estação que entrava era a nossa. Aquela que aqueceu nossos corações. Assim como a lua que surgia e não víamos.
Enquanto a nossa lua se enchia, eu ia embora. Fechava aquela porta sem olhar para trás. Com o teu medo e a tua raiva estampados no olhar. No meu, enuviado, a decepção. Chovia na minha alma naquela noite nublada que escondia a nossa lua.
Na noite seguinte, eu procurava no céu uma resposta. E lá estava a nossa lua. Ao vê-la, eu não sabia se enchia ou se esvaia, como eu. Ao olhá-la, lembrava da nossa primeira lua. E então, eram meus olhos que nublavam. E se enchiam. De lágrimas.
O céu só limpou quando cheguei à nossa terra. Lá, ele me mostrou que a lua enchia. E ali, com o nosso satélite à mostra, cheio, em uma noite de verão, com um ventinho fresco que pedia abrigo, eu lembrei que tu não estavas mais ao meu lado para me abraçar e me aquecer. A lua estava cheia, na volta do verão, e meu coração, três estações depois, vazio.
(Ela pensa que é literatura)
Porto Alegre
Dez/07
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Pequena diante da tua paralisia

Mais uma vez eu me deparo com essa dor no peito. E o vazio que não acalma, só cresce.
Os olhos já não enxergam porque as lágrimas teimam em escorrer pelo meu rosto. E eu queria um abrigo. O teu peito amigo. Queria senti-lo sem a sensação de choro e incerteza que ele transmitia nos últimos dias. Queria que ele pudesse me acolher, tanto quanto eu o fiz. E que ele sentisse a minha falta, como eu sinto. Talvez eu quisesse que fossemos iguais no sentimento, mas somos diferentes.
Queria que para ti fosse tão importante quanto para mim. E que não tivesses medo de me amar. Mas o meu desejo é pequeno diante da tua paralisia.
Os meus olhos não enxergam mais porque as lágrimas insistem em cair. E eu vejo apenas o passado, que insiste em bater à porta (da memória). Vejo a vida que vivemos juntos. E dói.
Os meus olhos não enxergam. O futuro desejado. Porque ele era pequeno diante da tua paralisia.
Eu vejo apenas o passado. E também dói. Dói lembrar nossos primeiros dias. E os últimos. E os do meio. As indas e vindas. Lembrar que fiquei sozinha. Desejando sozinha. Querendo sozinha. Insistindo sozinha. Em uma vida a dois. Mas ela só existe quando os dois querem, os dois desejam, os dois insistem.
E eu fiquei sozinha com a minha dor. Sozinha diante da tua paralisia. Pequena. E hoje, não sei o que fazer com a dor no peito. Nem com a vida que não vivemos. Grande para a tua paralisia.
Fiquei parada, diante da tua paralisia. E agora, ainda parada, eu penso que, se soubesse que aquele era o nosso último dia, teria aproveitado um pouco mais. Se eu soubesse ... Mas não sei. Tenho de aprender um pouco de tudo, inclusive a viver sem ti.
Se soubesse que te ver jogar era o meu presente de despedida, talvez eu não o quisesse. Porque para mim era importante estar contigo, sempre, mas o teu medo não permitiu. Enquanto te via jogar, sentia em cada gol uma dor. Porque aquela bola te levava para longe de mim. Naquele momento eu sabia que, mais uma vez, eu estava contigo para algo que para ti era importante. Mais uma vez só eu.
Agora eu olho para a janela e não enxergo. As lágrimas turvam a minha visão. E, pela primeira vez, eu vou embora sem que te despeças de mim. Porque não houve adeus. Porque tudo ficou tão grande diante do que eu sentia...
(Ela pensa que é literatura)
(Entre Sampa e Porto Alegre – avião)
21 de dezembro/07
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Mais do mesmo

Quando eu disser adeus
LS Jack
Chegou a hora do adeus
nós já viramos essa página
separe tudo que for seu
e deixe apenas nossas lágrimas
de repente eu me tornei
um estranho pra você
dói no meu coração
dói no seu coração
não a nada que vai nos prender
vou apagar de vez
cada passo teu
e eu só vou me curar quando eu disser adeus
amanhã talvez
longe em outro lugar
tudo vai passar
quando eu disser adeus
quem sabe a vida vai mostrar
os sonhos que nós dois perdemos
daqui pra frente vou mudar
viagens, riscos outros planos
guarde o melhor de mim
que no meu peito eu vou te guardar
vai ser melhor assim
vai ser melhor pra mim
um dia a gente vai se perdoar.
...
Mais uma vez brigamos pelo mesmo motivo. Mas desta vez, sem volta. Ele me acusou de querer casar, querer mudar a sua vida, querer mandar nele. Eu queria apenas viver uma relação dentro daquilo em que acredito: respeito e consideração (e isso não é obrigação), confiança e cumplicidade (sabendo que se pode contar com o outro e se pode compartilhar sonhos e vivê-los juntos). E mostrá-lo que, para viver uma relação, qualquer que seja, é preciso ceder e abrir mão de algumas coisas. Mas, para ele, isso é cobrança. Uma pena.
A música acima é um pouco do que sinto hoje. Na hora do adeus e na certeza que o futuro vai mostrar...
(Meu querido diário)
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Eu e o Fernandão

Dei uma pausa para o blog. Não porque quis,mas por absoluta falta de tempo. Estou numa correria tamanha que tirei férias de uma semana só para cuidar de mim, apenas, mais nada.
Minhas últimas publicações tinham sido quando eu e o meu Fernandão brigamos. E eu estava muito mal. Graças à Vênus alinhada, as coisas se realinharam. Mas mesmo assim não estão tão legais (comigo, não com ele). Estou em tratamento médico. Uma pubeite seguida de tendinite (algo parecido com o que o Fernandão original, daquele time vermelho, tinha). É um tratamento doloroso (corporalmente e para a alma) e longo. Mas tudo passa. Os textos abaixo:
Eu já te disse - A minha versão e
Presentes da vida refletem um pouco este momento.
Neste pausa sem querer, nem comentei que o meu irmão fez um blog e falou de mim e do Fernandão (original). Que absurdo não achar aquele cara lindo. Ele é maravilhoso. Só não é perfeito porque não usa a camisa tricolor do Grêmio. Falando em tricolor, esta terrinha tem de volta um original, o meu amigão Fúlvio, que tinha passado uma temporada em Curitiba. Agora ele voltou. Aqui, o Fúlvio e o Marcinho são uma mistura de Paulo, Ayr e Rafael em BSB (que estou morrendo de saudade).
E falando nesta terrinha, é a das tragédia: começa o ano com o buraco do metrô. No meio do caminho, a Tam. E agora o aviãozinho que caiu na Zona Norte. Para completar só falta uma tragédia na ZL. Credo!!!!
Como estou de miniférias, espero só chegar perto de um computador na semana que vem. Quero descansar! Então, quero ver se arrumo um tempo pra passear no blog dos outros também. Divirtam-se até lá.
(Meu querido diário)
Marcadores: Fernandão, Meu querido diário
Eu já te disse? A minha versão

Sabe do que eu gostava e nunca te falei? Quando saías do banho e te escondias, envergonhado ao ver que eu te observava pelado. Fugias de mim ...
Quando te trancavas no banheiro para eu não entrar. Ou no quarto, enquanto te trocavas. E eu, do outro lado da porta, sedenta. Mas dando risada. Tu me fazias rir.
E voltavas para a sala sem jeito. Como uma criança que está descobrindo o seu corpo. Uma criança que você é, e nunca vai deixar de ser. E que às vezes, com raiva, te joguei na cara. Mas que, por outro lado, é o que me encanta, ao mesmo tempo em que me chamavas de ingênua.
Eu também nunca te disse que és uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Mas acho que já te disse que és meu
presentinho. Porque nunca antes tinha vivido algo igual. Porque a vida se apresentava de outra forma. E quando penso em nós dois eu vejo uma troca não antes vivida e uma igualdade apesar das diferenças.
Sabe do que mais eu gostava? Difícil saber. Nem eu sei. Mas a minha lembrança mais presente é a tua vergonha. A timidez que hoje já não existe.
Eu gostava das tuas brincadeiras. De abrir bobagem no computador. De dar risada de programa bobo da televisão. De sair para jogar sinuca. Do teu sorriso de canto tocando bateria. E que ainda gosto...
Acho que o teu sorriso, com o dentinho quebrado e torto, talvez seja o meu encantamento. O teu jeito de moleque, que eu repeli.
Já te contei que eu nunca fui a um campo só por alguém? E que tu fizeste isso (mesmo eu chegando atrasada). E que queria, muito, mesmo, te ver jogar? Eu disse quanto fiquei feliz quando falaste que era importante estar ao teu lado, no momento certo? Que cada conquista tua é minha também e que sinto o maior orgulho disso? Aliás, e isso eu acho que eu já te disse, eu sinto tanto orgulho de ti... Apesar de tu insistires em perguntar se não tenho vergonha.
Acho que eu já te disse. Que adoro deitar nas tuas costas. E morder a tua bunda. Assim como tenho uma vontade enorme de te ter dentro de mim de um jeito tão intenso que quero te devorar (mas que reclamas das marcas que deixo no teu corpo). Eu já te disse que eu preferia que não reclamasses e não me tolhesses? Que querias que aceitasses simplesmente a minha expressão do amor, do tesão e tudo mais, assim como aceito a tua. Inclusive a tua dificuldade de expressão.
Já te disse que muitas vezes dei risada da tua economia sem sentido? Do falar rápido ao telefone, de nem dar tempo de ouvir a tua voz. Mas que agora faz sentido. Que tens dias que a tua voz me consola sem saber, quando demonstras que também sentiste a minha falta e que me querias ao teu lado? Eu já te disse o quanto é importante para mim demonstrares que é importante para ti estar ao meu lado? Parece bobagem...
Já te disse que a tua voz, as coisas que tu falas, o jeito como falas, entram no meu ouvido da forma mais doce do mundo? (Exceto quando estás zangado) Sim, acho que já te disse como tu és uma pessoa muito querida. Querida por mim. Mas que, acima de tudo, se faz querida. Por si.
Eu já te disse que queria uma música tua? Uma música nossa, como a do Fito Paes? Que a tua melodia me faz feliz, mesmo quando é um barulho? Que eu adoro quando tu ficas tentando achar a minha musicalidade ou quando eu já sei o que tu vais tocar? Que tudo o que tu fazes é importante para mim, independente de minha cara não demonstrar?
Eu já te disse que tem vezes que eu queria ser como tu, menos encanado em algumas coisas, tão pouco virginiano em outras. Mas que também queria que as vezes tu fosses canceriana como eu: romântica e sonhadora.
Eu já te disse que tem coisas que não precisam ser ditas, apenas sentidas? E que por vezes preferiria que tu sentisses isso? E que outras eu simplesmente não consigo falar, apesar de sentir?
Mas tem uma coisa que eu certamente nunca te disse. Que eu morro de medo de te perder.
(Ela pensa que é literatura)Nov/07
Sampa
Ver também o original, da
Milly LacombeMarcadores: Ela pensa que é literatura, Relacionamentos, Sobre alguém, TPM
Presentes da vida

Tu foste um presente em minha vida que, em dias como os de hoje, eu sinto falta. Dias de chuva como o do nosso reencontro. Um presente dado e retirado. Que custamos a entender por que. E que mesmo entendendo, não queríamos aceitar, e tentamos retroceder. Mas o tempo não volta. A magia de ontem não se repete hoje.
Tu foste um presente em minha vida que há um ano me foi oferecido de novo. Talvez como migalhas de presente. Restos abandonados...
Tu foste a década perdida que insiste em ser lembrada. O olho brilhante que eu nunca mais vi. E que persigo em outros olhares. Tu foste o que eu sempre quis e que custei a achar. Mas era idealizado demais. Não cabias nos meus sonhos. E hoje, um ano depois do nosso idílio de quase verão, eu lembro das nossas vidas juntas. E sinto falta. Sinto falta da tua mão percorrendo o meu corpo. Quente e curiosa. Tu pegas como quem agarra algo muito gostoso, que não quer perder. Talvez porque o meu corpo se sinta sem sentido... Por isso eu sinto falta.
Tu foste aquele que me fez completa. Em um porto seguro. Que temperava a minha vida sem sal. Que hoje está regada de mar e repleta de doce.
Tu foste a minha criança. Que paradoxo! Não havia diferenças entre a gente. Éramos duas crianças brincando. Sem hora. É disso que eu sinto falta. Talvez esse fosse o maior presente: a oportunidade da vida, apenas. Sem passado, nem futuro. Somente o presente que se apresenta. Por isso, tu foste o meu presente. És no meu futuro o meu passado.
Tu foste. E hoje, no presente, o que eu queria, era um abraço teu. O teu aconchego a acalmar o meu coração aos pulos, com medo da perda. Queria que me confortasses e me dissestes que não é preciso temer. E que mostrasses ao meu corpo sem sentido como é sentir.
Tu foste o meu presente. Assim como outros que ganhei na vida. O presente do último verão, da lua cheia, da Vênus alinhada. Mais um presente que a vida me deu. Tu também és um presente. Tu és presente. A cada hora, minuto e, mesmo assim, eu sinto falta. Como se o tempo não fosse suficiente. A vida fosse pequena demais para nós dois, pequenos. Nós, sim, crianças. Tu és a minha criança, que faz biquinho. E solta um sorriso maroto. E que eu quero aconchegar, como um dia fui aconchegada. Que protejo e não quero me desgrudar. E mesmo assim eu sinto falta.
Tu és o meu presente. Mas a falta é tanta que parece passado. O que me falta? O presente passado? O futuro presente? Não sei. Só sei que chegaste para acalmar o meu coração, mas que o deixa aos pulos! Ciumento...
Tu és o meu presente. E contigo eu dou risada. Do teu jeito bobo de ser. Do sotaque indefectível. Das gírias próprias e das em comum.
Tu és o meu presente e assim, me fazes feliz. Mas eu sinto falta... de ti, o tempo todo. Da tua pele morena e quente, contrastando com a minha. Da lua cheia que aqueceu nossos corações. Da magia do encantamento, que hoje se transformou em calmaria.
Tu és o meu presente. Mas o meu corpo sem sentido não consegue segurá-lo e teme perde-lo. O meu corpo sem sentido precisa do teu toque. Precisa ficar agarrado ao teu até voltar. Precisa não sentir a tua falta, apenas a tua presença. Tu és o meu presente. E é nisso que eu me agarro. Mas por vezes ele parece me escapar pelas mãos... e eu tenho medo de quebrá-lo.
Tu és o meu presente. Mas o meu corpo está sem sentido, congelado no tempo. À espera de um presente para recobrá-lo. E tu és o meu presente... Tu és! Tu és o presente que eu espero para o meu corpo sem sentido voltar a sentir. Em dias de lua cheia, como o meu coração, ou minguante, como o meu corpo. Nova ou crescente. Não importa. Se tu és o meu presente, em dias como hoje, és tu quem pode me tocar. Tu e mais ninguém. Porque tu és o meu presente que não quero passado. Tu és o meu presente futuro.
Tu foste o meu presente, que me guiaste por estas ruas. Um presente agradecido. E hoje sou eu quem conduzo. Ou o meu presente. Somos nós. Pela primeira vez. Caminhos que um dia foram teus, hoje são nossos. Guiados pela lua cheia alinhada à Vênus. Nós somos presente. À procura do sentido. Presente em algum lugar do passado.
(Ela pensa que é literatura)
Nov/07
Sampa
Marcadores: Ela pensa que é literatura, Presente, Sobre alguém
Vênus alinhada com o que?

A lua estava cheia – como em todas as noites em que Vênus se alinha no céu. Com o que?
Era uma bola enorme a clarear a noite. Que apesar do verão, estava fria. Como aqueles dois corações, machucados.
Naquela noite, em que Vênus se alinhou aos seus signos, ela sabia o que ia acontecer. E esperava por aquele beijo da lua. Mas foi o frio que os aproximou. O frio do lugar de onde vieram e que fazia com que tivessem muitas coisas em comum em suas vidas.
Sob o olhar da lua, ele veio aquecê-la – e também o seu coração. E disse que há muito esperava “por aquele alinhamento”. E ela brincou com a demora dele, e olhou para a lua para agradecer.
A partir dali, todas as noites de lua cheia eram quentes, como o seu coração e o seu corpo, diante dele. E ela agradecia a cada mudança de lua e contava que Vênus ainda estava alinhada.
Toda lua cheia significava o preenchimento de seu coração. Das duas almas machucadas que se encontraram sob o olhar daquela bola enorme no céu. E sob a benção da Vênus alinhada... Com o que?
E a cada contratempo, ela olhava para cima e buscava “o planeta do amor” para confirmar que o seu coração continuava aquecido. E que o frio só servia para aconchegá-los.
Foram muitas luas cheias em que eles estiveram juntos. Sete luas... como num ritual. E foi em uma espécie de ritual, regado a vinho e perfume de incenso que ele disse: “Eu vou te alinhar”, numa noite mágica. E depois perguntou se o alinhamento de Vênus tinha dado certo. Como não? Era ele e a lua cheia que os mantinham juntos. É lógico que ela estava alinhada, com ele, há muito tempo. Desde a noite fria da lua cheia.
“Eu vou te alinhar”, martela a frase em sua cabeça, enquanto vê que lá fora a lua não está cheia. E a noite está fria como aqueles dois corações, que um dia se aqueceram. De quente, apenas as lágrimas que insistem em molhar o seu rosto. Então, ela olha para o céu, procurando uma explicação. Vênus está alinhada com o que?
(Ela pensa que é literatura)
Sampa
13/07/09
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W.O.

Perdemos. Os dois. Não houve vencedores, nem empate. Apenas derrotados.
Diante do espelho, não me reconheço: insegura, ciumenta, pela metade. Querendo mais. Insatisfeita. Perdida.
E tu? O medo te paralisou.
Queria-te ao meu lado. Ficavas à frente. As rédeas nunca podiam estar nas minhas mãos... E eu não tinha poder. Poder algum...
O poder constrói. E destrói. Perdi porque não tive poderes. Imaginava-me capaz. Comigo tudo seria diferente. Porque eu segurava a tua mão e te chamava para me acompanhar. E pensava que conseguiríamos, juntos.
E tu? Não me seguiste. Deixaste a minha mão solta. E mostrava a cada dia que não se importava com essa liberdade.
E eu me senti perdida. Diante de um mundo para onde podias me levar, mas que eu não fui (porque não me chamaste). Queria tanto, só que não alcançava. E o que eu sentia ficou pequeno diante de tua paralisia. É como se fosse o cachorro correndo em volta do rabo. Sem sair do lugar. Numa ânsia por mais. Sem receber o que eu almejava.
Tu não olhavas para frente. Apenas para o passado presente. E por causa dele não conseguia sair do lugar também.
Nós dois não nos mexemos. E diante da paralisia, sem movimento, a vida acabou.
Faltamos ao jogo. Perdemos. Os dois ...
(Ela pensa que é literatura)
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O que embala o coração (ou a canção tocou na hora errada)*
Surgiu como um clarão, um raio me cortando a escuridão e veio me puxando pela mão, por onde não me imaginei seguir. Me fez sentir tão bem, como ninguém, e eu fui me enganando sem sentir. E fui abrindo portas sem sair. Como ia ser, como saber, antes de nos conhecer?
Deixa eu te levar, não há razão e nem motivo pra explicar. Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés.
Você me ganhou de presente, com laço e etiqueta de garantia.
Quando às vezes não amei a mim, não por falta de amor, mas amor demais me escapando pra alguém ...
Eu e você podia ser, mas o vento mudou a direção. Tão perto de mim, tão longe de mim... Era não ter medo de se machucar. Por essa covarde covardia.
Tudo se perdeu. Tudo desandou. Agora não vai mais emendar o que se quebrou. Sei que vai doer um pouco.
Eu não sabia que existia esse outro parto, de partir. Eu faço o que com a nossa vida genial? Falta pouco pra me convencer que sou a pessoa errada.
Tudo o que eu queria agora era um beijo seu, molhado como quase sempre estão os olhos meus. Chora, pois a chuva de agora vai regar suas rosas e a tristeza vai ter fim.
Sozinha agora estou, de novo. Eu pensei que fosse forte, mas eu não sou. Quem sabe assim eu paro pra pensar em mim?
Eu tenho a sorte de viver cantando e o céu a me ajudar.
* A partir de Ana Carolina, Paula Toller, Nei Lisboa e Isabela Taviani
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Pílulas
O inferno astral é dele, mas quem toma sou eu.
Vale a pena o último CD do Nei Lisboa (Translucidação) e o da Paula Toller (Só nós).
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Considerações
O texto abaixo já devia ter sido escrito há tempos. A idéia surgiu faz uns dois meses, mas apenas em uma semana em que tava bem chateada com o meu "Fernandão" é que saiu a inspiração. Coisas da vida....
Como tava alucinada com um monte de coisas e o computador de casa quebrado, acabei escrevendo à mão (pode) e transcrevendo-o nos momentos livres, no trabalho. Por isso a demora entre o dia da produção e a publicação.
De resto, a chateação passou. Estamos em "lua-de-mel" e espero que siga, sem que seja chuva.
Nas últimas semanas andei passeando, dei um pulinho em Brasília, revendo os amigos e meu mano, que foi morar lá.
A facul recomeçou e, com ela, a correira.
Ah, descobri uma coisa engraçada: que posso estar com a "doença do Fernandão (o verdadeiro, do Internacional). Pois é, o fisioterapeuta disse que acredita que minha dor seja pubialgia. O mesmo do lindo Fernandão (pena que não veste uma camisa tricolor).
Nos vemos...
(Meu querido diário)Marcadores: Meu querido diário, Sobre o blog
Ela que amava a água doce se apaixonou pelo mar

Desde criança a água para ela foi um mistério (e um fascínio). Águas limpas e calmas. Turvas e revoltas. A água a atraia e a repelava. Queria a proximidade, mas tinha medo. Do domínio da água, do descontrole.
As águas estavam próximas a ela. Perto de casa podia ver o rio (aquele que não é rio) e o admirava. Sentia-se como que dona dele. Sempre que o via, gritava de felicidade. Aquela água turva, mas calma, a fascinava.
Morava em uma cidade de águas. E toda vez que se mudava, buscava por elas. Onde quer que estivesse, queria a água a seus pés. Turva ou cristalina, não importava, mas calma – como que a contrapor o turbilhão que tinha dentro de si. E doce. Como ela. Como só alguns podiam perceber.
Águas calmas e doces. Onde quer que estivesse, queria-as por perto. Até o dia em que conheceu as águas gélidas das cachoeiras. Revoltas, intensas, frias. Mas doces. Então ela se encantou ...
A água a acalmava. Era só colocar os pés na água que se sentia completa, energizada. A água lhe trazia paz. E a sua vida se fazia repleta de água. As mais diversas. Ás vezes surgiam em turbilhões. Outras, a conta-gotas. Águas que lhe tiravam o folego. Águas que lavavam a alma. Águas que a levavam. Sempre correntes. Nunca paradas. Águas que percorriam os seus caminhos. Que desviavam das pedras. Que formavam ondas, que transitam por todos os lugares e dentro dela. Águas que chegavam. Que levavam. Que passavam por areias grossas. Águas que refletiam o céu. Mas não brilhavam.
Águas em todos os lugares. Doces, sempre doces. Como só ela sabia ser e poucos tinham acesso. Até o dia em que ela conheceu o mar...
O mar era diferente das outras águas. Vinha em ondas: gigantes ou pequenas. Mas ondas. Em movimento. Mesmo quando ele estava aparentemente parado, no fundo borbulhava por dentro.
O mar tinha largos horizontes. E o sol se punha nele, trazendo uma luz alaranjada. Ardente e calma ao mesmo tempo.
O mar acariciava a areia. Lambia-a e deixava nela os seus rastros. O turbilhão do mar a completava. O mar passa por cima, sem olhar para trás. O mar reflete a luz do sol e brilha de forma cintilante com o sal que carrega nele. Mas no fundo tem uma doçura que só ela sabe ver.
O mar tem repuxo. E dá medo. O mar a atraía, assim como a água doce a fascinava.
Ela, que amava a água doce, se apaixonou pelo mar. Mas ele ficava distante. Às vezes quase imperceptível. Outras, abissais. Ele se colocava como soberano, imponente. E se fazia necessário sem o ser. Porque sem água nem ela, nem ninguém viveria. Mas, e sem mar?
Então, ela passou a buscar pelo mar. A percorrer seus caminhos. A seguir seus rastros. Juntar as suas conchas, porque onde ele estava havia uma beleza que não existiam palavras para exprimi-la.
Ela, que amava a água doce, estava apaixonada pelo mar! E o queria para matar a sua sede. E o queria para surfar em suas ondas. E o queria para ampliar seus horizontes. E o queria para passar por cima dos obstáculos. E o queria...
O mar a fascinava e a atraía. Ela se apaixonou pelo mar e o admirava. Olhava para ele como quem vê infinitas possibilidades. Porque com ele tudo era diferente.
Mas o mar, aquele por quem ela se apaixonou, tem águas salgadas. A mulher da água doce se apaixonou pelo homem salgado.
O mar é salgado. Como as lágrimas que correm do seu rosto, longe do mar.
Ela, que amava a água doce, se apaixonou pelo mar. Mas ele é salgado...
(Ela pensa que é literatura)Sampa, julho
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Conclusões
Pois eu cheguei a uma triste conclusão: o presento virou chuva. Que pena!
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De volta
Fui ser feliz e já voltei...
Além da correria do final de semestre, um monte de coisas fez com que eu continuasse na pausa.
Entre elas, a volta do meu "Fernandão". O fim do semestre e o início de outra jornada (aluna especial no Mestrado da Unesp). A gravação do meu
comercial ... (participei de um concurso do Banco Real e fui uma das cinco finalistas). E a monografia da pós (que tenho de entregar dia 15 de julho). Portanto, é uma volta, "pero no mucho"...
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Pausa para um respiro
Além do feriado (que me afastou daqui), estou em semana de provas e de apresentação do espetáculo de final de semestre. Volto a escrever nos próximos dias.
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Costume

A gente se acostuma com a barba roçando na pele. Com o biquinho ou o sorriso maroto.
A gente se acostuma com os contrastes das peles: frias ou quentes, brancas ou morenas, macias ou ásperas.
A gente se acostuma com a língua na orelha. Com o carinho no rosto. Com o aconchego no peito.
A gente se acostuma com a voz, com o som (às vezes até a barulheira). Com as brincadeiras de criança. Com a seriedade repentina. E até com a desconfiança daqueles que têm medo de amar.
A gente se acostuma com o abraço. Às vezes amigo, às vezes de tesão. Com o aperto contra o corpo. Com os amassos nos mais diversos lugares.
A gente se acostuma a ver filme juntinho. A dormir agarradinho. Ou virar de costas pro outro, na cama.
A gente se acostuma até com o sotaque! E brinca com ele. Se acostuma a criar palavras e expressões que só a gente entende...
E se acostuma em pensarmos diferente em muitas coisas. A torcer pra times diferentes. Mas também de concordar em outras questões.
A gente se acostuma em acordar tarde no Domingo. Em voltar pra casa de madrugada, para que o outro durma bem. Em ficar ao lado, quando o outro está doente. Ou também ficar ao lado porque simplesmente não quer desgrudar dele.
A gente se acostuma a ter ciúmes repentinos. E sentimentos nunca antes observados.
A gente se acostuma com o beijo. Com o olhar e até aprende a decifrá-lo em cada situação.
A gente se acostuma com tudo quando o importante é estar junto. E aprende a conviver nas diferenças. E se acostuma com isso.
A gente se acostuma com a presença constante. Mas nunca se acostuma com a falta.
Chega um dia em que a gente tem de se acostumar a desacostumar...
(Ela pensa que é literatura)
Sampa, 3 de junho de 2007
P.S. Meu "bichinho" tá de férias, snif, snif...
E a dona Marinês está falando que nem o Garfield no segundo filme ...
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Visões

A primeira vez que te vi, não nos vimos. Só nos enxergamos na segunda oportunidade. Ambos. Mais uma vez estávamos em lados opostos.
Naquela tarde fria em que incendiamos, uma faísca saiu para que chegássemos até aqui.
Mudaram as estações. Veio a primavera e só no verão nossos olhos se reencontraram. Na noite de lua cheia eles finalmente se enxergaram.
Seguem se olhando. Até quando?
(Ela pensa que é literatura)
Sampa, maio/07
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Somos todos iguais
O texto abaixo foi escrito em uma semana de muito ciúme, ao som de "Eu não paro" (Ana Carolina), antes de eu viajar para Brasília. Depois da viagem, descobri que não sou só eu a mordida pelo bichinho.
Na viagem também descobri "que tenho saudade da vida que não vivi", ou seja, da vida de meus amigos que não acompanho porque estou longe deles.
....
Recebi um email sobre o texto
"Em má companhia", a respeito de os homens serem todos iguais, só mudando a roupa. A conclusão que chego é que talvez todos, independente do sexo, sejamos iguais. Talvez se eu não estivesse com o
"Presentinho" quisesse "tirar uma casquinha" em algum deles. Sei lá, né?
(Meu querido diário)Marcadores: Homens, Meu querido diário
Mordida
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. Meus olhos estão nublados, infectados por ele. Em todo lugar, uma dúvida. O medo e a insegurança dominam-me. E eu que pensei que fosse forte. Mas não sou. Um dia não resistiria, seria mais fraca.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. A minha alma está infestada dele. Uma nuvem negra caminha sobre a cabeça. E perturba a minha vida. Porque eu descobri que não sou forte.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. E tudo é dúvida e incerteza. O querer é maior que o ter. Fica uma lacuna que dói, porque corrói.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. E desde então a vida é um misto de alegria e tristeza. Aconchego e separação. Carinho e perturbação. Um agonia.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. E eu tenho medo. De que ele leve consigo o que existia antes do veneno. Eu tenho medo de ter medo. E de perder.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. E hoje eu sei que sou frágil como o bichinho. O veneno se espalha e me dói. Porque ele é mais forte que eu. Porque ele tapa os meus olhos. E muda o colorido da vida.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. E está me enlouquecendo. Preciso estancar o veneno do bicho. Ou matar o bicho? Porque corrói a minha alma. E me transforma em alguém que não quero ser. E me faz sentir algo que nunca vivi.
Aquele bichinho me mordeu e me envenenou. O ciúme.
(Ela pensa que é literatura)1 de maio/07
Sampa
Marcadores: ciúme, Ela pensa que é literatura, Relacionamentos
Aprendizagem
Esses dias de menino em minha vida têm trazido um baita aprendizado. Tanto tempo com homens mais velhos me deixaram acostumada a algumas coisas. As ações e reações ficam previsíveis. Pois com os meninos da minha idade não. E eu tenho de aprender a lidar. Um novo recomeço a cada dia. Uma nova aprendizagem. Mas o que mais está pegando é o bichinho que corrói. O "mardito" do ciúmes. Nunca me vi com tanto ciúmes, até da sombra. Mesmo que fique "sublimando". Mas ele corrói e incomoda. Por que?
(Meu querido diário)Marcadores: ciúme, Meu querido diário